segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

RECEITA PARA UM BOM 2009


Leia os romances e os versos.

Fale com os amigos, e se puder, com os inimigos também.

Ande de bicicleta, a pé, e veja o por do sol.

Ame os mais velhos, abraços e beijos nos avós é uma boa pedida.

Seja mais atencioso com os que te rodeiam, assim sem medir tempo e espaço.

Vá ao cinema, ou assista em casa bons filmes...

Cuide do corpo, e da alma.


E se nada disso adiantar, ou sofrer mudanças significantes, você será mais gentil, mais sábio e leu o meu blog...


Feliz 2009

domingo, 28 de dezembro de 2008

Domingo



Respirar a poeira acima dos móveis
resguardar-se de ter esquecido
as respostas

Seguir a pé
ou em pé,
pena que não nos seja permitido
voar,
ainda que em tese
o fassamos diáriamente,
no oculto dos olhos distraidos.


Esquecendo do suor, da dor e das leis
infaliveis do pacato universo...





sábado, 27 de dezembro de 2008

TORNAR



Em pé, defronte a estante.
Imaginar a poeira que se estende pelas fotos
Rostos rotos,
Incertos.

Dentro da imagem pálida de uma alegre
e frívola foto
todo o passado, nos risos imprecisos
todos os sonhos nas roupas azuis
todas as formas, esquecidas
depois da pose,


de posse do futuro
havíamos delineado o passado
atentando à velha máquina
de prender pessoas e coisas
vazias.

Imagem:www.flirkc.com

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

IdÍlio

Apressar a pressa
andar confuso, de bicicleta
e até tentar contar as voltas
incompletas

não sou atleta
e até penso
que assim vale a pena
pena que não saiba, deveras

sei dos versos apenas
sei que os versos apenas
voam quando ando de bicicleta.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

CONFISSÃO



Talvez as sombras, e suas ocultas formas, possibilitem que eu me esqueça um pouco que é natal. Não sou chegado a esta data. Coisas minhas.

Não é superstição, augúrio ou qualquer coisa relacionada com instintos primitivos.Apenas um incomodo que me cerca neste período. Os amigos não têm do que se preocupar.

São só dois dias assim no ano...


Já já, este tal natal já deve estar longe... bem longe...

Fico aqui com a poesia, e os amigos é claro.


Dentro destas sombras
natalinas
Salinas feito o mar
recompor as sobras
soltar o ar dos pulmões
respirar
virar a página do calendário
saber que
invariavelmente os dias se sucedem
sem sombra de dúvidas
com sombras,
nas dúvidas...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SABIÁ



Hoje de manhã
de manhã cedinho
bem devagarzinho
veio me acordar
certo passarinho
que sem fazer ninho
cantou de mancinho
para me chamar

Um sabiá
eu sabia.

Um sabiá,
sabendo que me acordava
fez sua serenata
serena feito o mar...

Sabiá




Amigos, este sabiá fez o poema e soprou ele em minha janela esta manhã cedinho, bem cedinho.Ai eu botei o poema pra vocês lerem, e gostarem e sentirem e cantarem...





segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Hoje

Um sol
um som
uns sopros
sopranos
saxofones
falantes
dentro do Jazz
que ecoa em minha cabeça
dentro da inviolável esfera que pensa.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Novinho em folha


INFÂNCIA

Há um caminho de amarelas flores
Dentro do espelho.

Dentro do espelho
partículas esparsas do antigo menino
o velho pião
a velha bola
vagando
dentro do espelho

Resquícios da infância
dentro do espelho
o caminho da escola
os pais
o rio
dentro do espelho


Há a vida e o menino
e as sombras
e a bola
aqueles velhos cadernos
passando feito filme
dentro de certo espelho que desconheço

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ENÍGMA

Há o olho que nos olha
nos enxerga

Há o olho particular
olho de óculos
que nos olha como
oráculo

Amálgama
orando, de olhos fechados
abre-nos, certo infinito...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um poema

ELEGIA

A face escura
dos teus desejos:

esses
sonhos fugidos
e
entreabertos.

Deixa
escapar estas mágoas todas,

e lamentar
é o que me conforta
depois da certeza da tua partida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

CANÇÃO QUINTANAR



Na vida toda que nos resta
vivo , só com pouquinhos.

Advirto aos que estão com pressa:

Vocês, ainda passarão...

Eu,
ainda, passarinho.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sábado

Os sons, o cheiro.
E as cores dos panos.

Um teatro sob o céu.
O fogaréu das brasas
Frigindo o fígado mal passado.

O passado preso ao chapéu de palha...
As sandálias de couro
dando o ritmo da musica
da feira...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

RESPOSTA

De manhã
abrir as janelas
os olhos.

Recolher os raios
o amarelo solar
do dia.

Ostentar o incerto,
a inviolável forma,
por onde vemos
as nuanças do azul,
do incerto azul
do céu.

E sem rogos,
sem voz,
clamar
um deserto apelo
ao que desconheço.
Ao que me é particular...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sem título



Que nos seja permitido
desenhar os caminhos
e os sonhos, e as músicas
todas que esquecemos de ouvir
arrancar da estante os livros
e sobre suas páginas
rabiscar o mapa secreto
de lugar algum, e por fim,
acordar, em pleno estado de silêncio.

Sobre a foto: copyright by Georgio Rios.2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mais um poema!!! (2)

MATILHA

Era o cão e o canto
e as pernas cansadas.
O cão e o canto
-no escuro,
A rabiscar o nada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mais um poema!!!

CONFISSÃO


Sei das dores
gerais, e particulares,
sei da intensa condição
de ser

Sei dos passos,
das folhas, que escondem
segredos,
sei do medo,
que nos assevera,
sei

E sei,
que algo de mim é
pássaro,
e voa,
por mais que eu insista em
andar

domingo, 7 de dezembro de 2008

Hoje é domingo

Um dia pra olvidar, como se diz em espanhol...


Esquecer o ofício e o ócio
os orifícios
aquietar os ossos
e lembrar apenas do
obvio
estamos vivos e...
a morte é negócio.


O domingo continua lindo...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

UM CONTO MEU, PRA VARIAR!

DEPOIS DA GUERRA.


No lugar do coração tinha uma pedra”... Sempre me lembro disto quando estou nesta casa...

Um inverno, frio e úmido, onde a biblioteca é a única parte da casa onde não faz tanto frio. Não tremo quando estou por lá. Os livros sempre lhe serviram, em sua solitária companhia, meio que eremita. Uma velha poltrona de couro, umas poucas miniaturas de automóveis e seus livros. Estrelas de seu pequeno universo. Tudo bem arrumado, como da primeira vez que aqui entrei. Em cima da escrivaninha um álbum de fotos, da época do exército. Fôra Pracinha na Segunda Guerra.

Descobri todo um universo naquela pequena sala.
Entre seus livros pude ver e andar por lugares distintos: ora pelo “Deserto dos Tártaros” ora pelo “Grande Sertão: e suas “Veredas” me perdi por “Terras do Sem Fim” e singrei o “Mar Morto”. A minha educação foi a : “Educação pela Pedra”. Sempre que ia lhe visitar pedia que me deixasse dormir no quarto da biblioteca.Varava as madrugadas sentado na mesinha que tinha uma lâmpada logo acima. Ele tomou gosto pelo meu gosto de ler. Dizia-me sempre que: mesmo as dores, estas tão fieis companheiras, são menores quando temos os livros Assim foram todos os meses de julho que nós o visitávamos. O mesmo frio e demorado mês, todos os anos, os mesmos galhos nus circundando a casa.

Nestes dias em que passávamos o mês em sua companhia, pouco falava. Pouco saía de sua poltrona, perdia horas e horas, observando um quadro a sua frente. Um quadro onde figuravam, no cair da tarde, três mulheres descendo uma pequena montanha. Não ousei lhe perguntar o que via naquela cena. Ainda hoje o quadro pousa na mesma parede. Não reformamos a casa depois que ele se foi. Tudo permanece no mesmo lugar; os livros, as fotos, o quadro, a velha poltrona de couro, as mesmas árvores e seus galhos desnudos a circundar a casa. Pensei em levar os livros e as fotos comigo. Não o fiz tudo era parte de um só conjunto: impressões e coisas formando um só punhado de lembranças. Ele agora era de alguma forma aquilo.

Inquieto, andando pelos arredores da casa eu pude ver o jardim, ainda cuidado. Além dos livros sentia-se a vontade com as flores embora na maioria do tempo ficasse calado, com as flores tinha longas conversas. Mesmo com a guerra não tinha perdido de tudo a sua ternura. Era ríspido com as pessoas, com as flores não o era. Por isso sentava-me em sua poltrona, tentando abstrair daquele quadro o que o fazia perder tanto tempo a olhar aquela imagem, perder-se naquelas plagas imaginárias. Por várias vezes busquei saber o que via quais lembranças transbordavam das cores impressas naquela imagem. Minha mãe nunca falava do passado. Como eles viviam antes da ida dele a Guerra. Privava-me de qualquer informação que envolvesse seu passado. Uma nódoa pendia de seus olhos. Desde que ele morreu, ela não olhava ninguém nos olhos. Isto era a única coisa que me incomodava quando voltávamos àquela casa. Sentia a falta de suas indicações, seus livros prediletos, suas únicas palavras, deitadas dum lugar secreto.

Certa feita olhei as fotos uma por uma. Minha mãe as arrebatou como se temesse que eu descobrisse algo. Agora ele está morto. Além dos livros e das fotos, só a poltrona manchada de sangue e o quadro. Creio que o levarei comigo. Afinal, alguma coisa eu tenho que levar desta casa.

Uma lembrança para os tempos em que estiver longe...

Foi a partir desta atitude que se descortinou toda a questão que cercava os silêncios, o dela e o dele. Ele se calou para sempre com uma bala no crânio. Ela morria em cada palavra não dita. Do quadro desprendeu-se um papel, uma carta, onde ele dizia por que se mataria. Por ser meu pai. Minha mãe, sua filha e amante.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

RUBAÌYÀT

RUBAÌYÀT



Bebo vinho... /Bebe-o também/ Todos aqueles que,/ igual a mim,/ É digno de encontra-lo...
Omar Khayyàm




Suaves aromas secretos,
Taças...

Quero brindar ao silêncio,
E a soma dos seus ecos...

Aos meus mitos particulares,
Meus inventários.

Brindar ao rubro,
que verte o único vinho
imaginário...

E ainda em silêncio
amigos ;
brindar ao vento,
imóvel,
que varre o verbo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008


Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovãoMinh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter...
(Elomar)



TROVOADA


Meu campo branco,
caatinga,
chão que me cerca
terra,
minha terra...

A salvação,
vem do som do trovão.

A luz dos relâmpagos
alumiam os caminhos,
os ermos
e a chuva
faz a terra ferver e
brotar
verde

A terra rí, e dança em meus versos...



Foto: www.flirck.com

domingo, 30 de novembro de 2008

Chuva!

Ontem, ouvi o resoar forte dos trovões, o resplendor dos relâmpagos. Caros amigos, a chuva em minha terra parece ser mais bonita. Os pingos tecem sinfonias, tamborilando nas telhas do meu sobrado. Tudo se torna muinto mais lírico quando chove. A noite enche-se de um certo mistério.De certa mágica, que me faz dormir como qunado era apenas um menino, com medo da incerteza das chuvas...

sábado, 29 de novembro de 2008

VERDADES




VERDADES

Gosto de tudo que não conheço:

Das cores que não sei
Das fotos que não ví
Dos livros que nunca lí

Das coisas que não sei
Dos versos que nunca escrevi...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

MEU QUARTO

Entre folhas que insistem em minha janela,
e as de papel dançando sobre a mesa



Em meu quarto,
de paredes
imaginárias, esquecidas
incidem sombras inquietas
cantos enegrecidos
réstias de luz azul...

Em meu quarto,
onde os livros se irmanam
na quietude da estante,
invadem raios de um sol
sem precedentes,
sem promessas



só o pó,
ocultanto os cismos...

Em meu quarto,
de paredes, esquecidas,
um mundo, escrito em mim mesmo...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amigos, caros amigos

MESTRADO: ARREMEDO POÉTICO


P/ Thiago Lins e Paulo André.



Cena I

As luzes se apagam...

Somos feras, e, morremos de
Véspera.

Somos como a vela, decrépta
e sua chama que vacila

Cena II

As luzes ainda apagadas...


Somos feras, velas de
Chamas indecisas.

Somos chamas, tremulantes,
sobre o vento que crepita

Más amigos, Drummond nos havia advertido:

“ No meio do caminho tinha uma pedra,
Tinha uma pedra no meio do caminho...”


O vento sopra, ascendem-se as luzes
E:
A pedra, no meio do caminho.
Jaula e labirinto.

Fecham-se as cortinas. Acendem -se as luzes

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Infindável

As finas formas
flores invisíveis
de
frêmitos famintos,
femininos

Asas falenas,
falam de silêncios
fixam poeira
trazem esquecimento,
imprevistos

trazem
o que não mais importa

inevitáveis:
são as ondas que beijam a praia
quando o sol
se esconde infinito ...

sábado, 22 de novembro de 2008

Presente de natal:


Saiu da loja de alma lavada.
Um mar de sapatos de grife.
Saias e blusas transadas.
Maquiagem antialérgica e contra raios UV.
Algumas uvas, importadas é claro.
Algumas revistas americanas, mesmo, desconhecendo vírgulas em inglês.


E o cartão do amante, ardendo no inferno particular das contas não pagas...



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ruminando James Joyce

















"A humanidade é um vasto jardim, com suas flores de hastes decepadas"


G.Rios.


LABIRINTO


Tanger as labaredas
e
vagar por
este vasto jardim.

Degladiando o imenso
labirinto...

E suas humanas flores
de hastes decepadas.

IMAGEm :http://www.flickr.com/photos/aneaguirre/392936990/

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Só o balanço do mar.

Tô aqui. Sem ter o que fazer. Detido nesta infinidade de altura. Sete andares. É ruim aqui em cima sem livros , ou gado. Gosto do chão, pés descalços, os seixos nos pés. As poeirinhas do caminho, pó da vereda.
Só me resta a janela, fico aqui quieto, feito alguém que assiste a um filme monótono, sem sentido.
Pensado em quando vou ver o terreiro da tapera...
P.S. Não haverá imagens, nem mesmo uma foto consolatória...

sábado, 15 de novembro de 2008

Mais um... de Georgio Rios



EU CELEBRO a mim mesmo, /E o que eu assumo você vai assumir, /Pois cada átomo que pertence a mim pertence a /[você...


...Sou o poeta do corpo, /E sou o poeta da alma.


Walt Whitman



POEMA SOBRE AS FOLHAS DA RELVA

Descubro, deitado sobre relva,
o pouco que conheço dos homens,
[ meus semelhantes,

com quem compartilho de infinita inutilidade,
[e sábia ignorância.

Os erros e falhas...

Da minha tardia infância, do meu colérico
[ silêncio ...

Tangendo...

o verdor que me cerca: a pergunta da criança.
[ sábia profeta.

Que brinca.

Entre vigília, e sobriedade, a escolha,
[incerta, inseta...

Vagante.

Lume que irmana cada átomo, cada vago pensamento de
[fera.

Que nos encerra, nesta mesma jaula, nesta vaga calma,
[nesta mesma esfera ...

Que as folhas cresçam sobre mim.
que os galhos avancem sem pretensão de paradas...






Sáiba mais sobre esta foto em : http://www.flickr.com/photos/barbarareis/2069102436/



quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cinema...



Correr, dentro duma roda de pneu. A infância girando. Girando...
Vento de lembranças corre e eriça cabelos longínquos. A voz que entoa a ciranda esquecida. Escondida dentro do largo peito. Não há medo nestes ermos. Não há privação de lembranças. E,uma música embala sonhos de um ser qualquer. Ser, que se forma, que se esforça pra lembrar de si. Dos outros. E como num álbum de velhas e gastas fotografias delinear arroubos, de um certo,e pouco visto, encontro marcado...


Haveremos de lembrar um dia. E cada gota da chuva servirá de cena, neste mesmo filme que insistimos em ver. Tocar em frente, entre expectação silenciosa e papeis principais...


Apagam-se as luzes. Passos vagos em direção da porta.


imagem: http://www.flickr.com/photos/kathiao/2473841934/



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Estação

















O mar, o mar, o mar
distante.


E o céu, sem véu, sem seu
instante.

O mar, o mar o mar...
Sextante.

Ó mar perene, e vasto
que inunda
o céu, azul,

e as casas, todas
que não habitei...

imagem : www.flirck.com

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

CONVERSAS

Hoje, um dia
que desperta.

Aperto o cinto, e sinto,
sem pressa
e passo em cada dia.

Aparto as pedras, e sigo,
sem esta tal
certeza que me cerca.

Hoje, um dia
que me aperta,
aparto,
no instante em que
te vejo,
FOTOGRAFIA



Imagem retirada do site: www.flickr.com








sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cisma!!!





O futuro me encanta, e, me faz, de certa forma ser menino.
Sua impressão, imprecisa, me faz acreditar em sonhos e outras rebeldias de jovem. Por isso gosto do que acho em livros, filmes e pelas ruas onde ando.

O futuro, meu tão próximo passado, será construído assim, Os amigos, minha mulher, algumas travessuras literárias e um por do sol que eu tenho em frete da minha casa.Uns pássaros e meu saxofone também.

O resto; de resto, construirei, ou verei se fazer, quando necessário.Pelo Acaso...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Hoje, outro dia.

Senhoras e senhores, Barack Obama é presidente dos E.U.A. EU devo R$ 173,98 do cartão de crédito( compras em sua maioria de livros). Sei que ele lia Bukowisk e Hemingway antes de Harward. Espero que eu continue lendo e escrevendo. E que a economia mundial possa respirar aliviada. E que os livros possam ficar mais baratos. E... Deixa pra lá.

Welcome to White Hause Mrs. Barack Obama

sábado, 1 de novembro de 2008

DE TARDE


As formas,
tortas
e
tantas
estendidas no arame
quarando,
coração e vento
enxugando,
expostos,
diante

da distante amendoeira
em flor,
em fogo verde que
viça,
em cada instante,
que nem foto,
foco

invadindo,
silenciosa,
a ligeira
imensidão
da
janela,
pairando,
pairando,
na superfície
imóvel da retina

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Noticiário II

Jão do caso de cárcere privado das ovelhas e cabras, foi encontrado morto na cadeia pública.O mesmo foi encontrado enforcado na cela, por um tipo de corda feita a partir de lã de ovelha...
Os colegas de cela preferem não comentar o caso.A delegada ainda não tem pistas dos suspeitos , mais garante que se trata de caso de vingança.
Maiores detalhes na próxima edição

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Noticiário




Estou lendo o livro Os Segredos da Ficção, de Raimundo Carreiro. “Em uma de suas frases ele diz:” Escritor não conta piada, escritor escreve piada”.Pensando nisso transformei a história que me contou um amigo sobre certo acontecido que se deu com ele, que mata carneiros para vender em dia de feira-livre...



Noticiário


O Falador 30/10/2008

Foi preso o cidadão João da Soledade, mais conhecido como Jão das Cabras acusado de cárcere privado e formação de quadrilha, (mesmo sendo preso só), em sua residência, onde mantinha cinco ovelhas e uma cabra refens. Após serem libertadas não quiseram gravar entrevista. Cogita-se que Jão esteja envolvido em tráfico internacional de ovinos. Jão também será indiciado por falsidade ideológica, o mesmo utilizava documentos de um defunto para receber aposentadoria, e utilizar o dinheiro no aliciamento das ovelhas e cabras nas cidades circunvizinhas. O advogado de Jão já entrou com pedido de Hábeas Corpus e aguarda resposta do judiciário.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

domingo, 26 de outubro de 2008

Filosofia literária

Há mais misterios entre capa, páginas e contra-capa, do que sonha nossa vã e parca teoria.

Pensei nisto enquanto lia Malgueta, Perus e Bacanaço de João Antônio, um livrão, na melhor acepção da palavra.Sinto-me tocado por estes mistérios inerentes a condição humana. Bem que poderíamos ter um dia no ano em que os livros fossem presenteados de graça.Um dia onde todos os que gostam de ler pudessem se deliciar com um livro de sua preferência a custo zero.


Deixo aqui uma listinha do que seria a minha preferência:

O Encontro marcado, de Fernando Sabino;

O som e a fúria - William Faulkner;

Finegans Wake , de Joyce;

47 contos de Isaac Bashevis Singer;

Contos esquecidos - Lygia Fagundes Teles;

Ficções - Jorge Luis Borges;

50 poemas escolhidos pelo autor – Manuel Bandeira;


GALILEIA de Ronaldo Correia de Brito. Este é com a fotinha e tal...;

Outras inquisições - Jorge Luis Borges...

Deixo as reticências para o caso de algumas surpresas. Há muito mais livros do que estes em minha lista de prioridades literárias. Más, se neste natal papai Noel os deixar em minha caixa de correios eu serei um leitor mais feliz...


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mais uma história...

As ovelhas pastam resolutas,
sós.

Seu Agenor...

Uma cena a menos
na imprecisa manhã

imprecisos domingos sem som...


Para o Amigo Agenor, atropelado deixou seu rebanho a beira da pista enquanto sua alma mudava de casa, de plano.Morto pela imprudência de um motorista...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

I(n)tinerário



I(n)tinerário


Sigo uma gente que não se norteia por signos ou sortes.
Conheço os passos e penso,
as pedras,
estas não consomem meus pés.
Não me machucam.

Apenas a estrada, em frente,
e o silêncio da marcha,
marcha secreta,
em sede ,
em frente.
Ardendo, em estado de tarde...

E, quando, numa curva as cores sumirem,
e o céu,
sem brilho,
for fotografia,
meus olhos se manifestarão,
inquietos,
entre a força baça dos últimos raios tardios...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sedimentos...

Trago em mim um rio secreto, que se desdobra em: pontos, aspas e, algumas reticências...



De quando a noite não produz sono, sonhos ou coisas outras.


Georgio Rios, madrugada a dentro...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Filosofia pessoal

O que conheço por futuro é , em partes, a soma do que construimos no que entendiamos por passado.
E o passado, dentro do que penso, é, o acúmulo do que deixamos quando arquitetávamos aquele antigo futuro...

O processo é o que já disse: "Alguns clichês são necessários..."

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

2 lugar em concurso de micronarrativa promovido pelo MARCELINO FREIRE

[1º]

GêneseEscuridão. Deus desemcapando fio: Terra.

[ Carlos Nealdo ]

[2º]

Nosso casamento entre estilhaços daquela xícara.

[ Georgio Rios ]

[3º]

Vendia heroína para comprar a polícia.

[ NightHiker ]


O resultado completo pode ser lido no blog www.eraodito.blogspot.com De MARCELINO FREIRE

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DOMINGO

O mar estava distante.
Segunda feira, era uma bolha cintilante que, logo, logo, estouraria numa terça cheia de inquietação

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eu na Verbo 21...

in www.verbo21.com.br

agosto de 2008


Foto velha

Para Sandro Ornellas

Talvez a janela aberta,
seja este sopro,
um talho encravado na escarpa
da tarde

A imagem incrustada
(em preto e branco)
Obliqua.

Retina incerta.

Aquela fotografia antiga na estante.
O instante em que a gota desaba
acaba

A cena muda dos olhos,
incertos.

Talvez, a janela aberta
seja o símbolo,
o assombro do instante.

A moldura gasta
onde vejo distraído
aquela foto velha...

Cavalgada
P/ José Inácio Viera de Melo

Perto das cercas,
acesas asso meus pés descalços
cassando cacimbas.

Dos pastos flamejam estrofes,
e as vacas ruminam poemas.
Corto com facão e versos estes
varedos.

Amarro a peia na vasta porteira
da rima

risco, arriscando laços, infinitos...
E aflito, aboio esconderijos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A CASA DOS MEUS QUARENTA ANOS

José Inácio Vieira de Melo


Assim é a casa dos meus quarenta anos,

assombrada e sóbria como um bacurau.

Em seus largos cômodos,

habitam uma enorme solidão

e muitas vontades de vida.

É noite e estou em meu quarto

urdindo meus infinitos à eternidade.

Eu – apenas eu – eu.


Lá fora, uma sinfonia de questionamentos:

grilos, sapos, rãs na sua intermitente litania

enlouquecem meus fantasmas.


A minha casa, às três horas da madrugada,

tem os olhos bem abertos – esbugalhados sertões –

e os seus fantasmas, somatórios do eu,

vão se arrumando do jeito que podem.


Um, no quarto ao lado,

implora para que desatem o nó da forca.

Não suporta mais as folhas da algarobeira

chorando o seu destino.


No quarto do outro lado,

outro choraminga suas dores, suas pernas quebradas,

o sangue escorrendo para o nada

(esse espectro dói demais e a sua grande

novidade é saber que vai morrer).

No quarto derradeiro,

os morcegos dormem sossegadamente

e seu mundo não é de cabeça para baixo.

No quarto derradeiro da casa dos meus quarenta anos,

os morcegos adubam o terreno e aguardam a chegada

de mais um dia, de mais um ano.

E assim, no bater das asas do galo pedrês,

o choro do recém-nascido.


E de dia a casa dos meus quarenta anos

é cheia de janelas azuis abertas para o azul.

E uma multidão de ventos vem assobiar dentro dela,

vem renovar os ares, sacudir os quadros nas paredes,
jogar meus retratos pelo chão.

Ventos dadaístas

a remexer nos meus poemas, mudar seus versos,

rearrumar suas estrofes.


E o dia vai crescendo com uma claridade medonha,

e as telhas da minha casa abrem os olhos

e olham para o alto e se benzem e dizem amém

(cada telha da casa dos meus quarenta anos

é um olho aceso espiando dentro de suas cores).


E há momentos em que tudo que é bicho se cala

E a casa mais parece um cemitério.


A casa dos meus quarenta anos é caiada de branco

E tem janelas azuis abertas para o azul.


A casa dos meus quarenta anos – cemitério de ilusões.



José Inácio, poeta vaqueiro, arrebanhador de gado e de versos.Aboiando a poesia para o curral seguro da "Casa dos seus quarenta anos"

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

CAPÍTULO I

A estrada é uma historia que cabe em si mesma. Foi descortinando suas curvas que descobri o quanto é dura a vida. Dei no pé bem cedo. Por capricho, ou por loucura, resolvi enfrentar cada dia num lugar diferente, respirar ares distintos. Paredes sempre me fizeram mais mal que bem. Primeiro por que a queda de uma delas deixou meu pai inutilizado. Por negligência de um engenheiro que queria sair para sua farra de sexta. Não atentou para o traçado da massa que faltava cimento. Mandou levantar a parede. Meu pai tentou avisar que aquilo daria merda, mais ele nem quis saber. Levantaram três metros acima do nível e quando ele passava para ir embora a parede desabou por cima. Um alvoroço tomou o canteiro de obras, o resgate achou que era trote do pessoal, que tinha por diversão ver a ambulância sair em alta velocidade e com as sirenes gritando. O socorro só apareceu depois do terceiro chamado. Ele perdeu muito sangue e a perna necrosou. Algumas escoriações e duas fraturas. Uma perna amputada.

O infeliz foi visitar meu pai, em casa. Meio desajeitado pediu desculpas. Em resposta meu pai apontou para o lugar da perna:

--ela não volta. Estou aleijado. Inútil.

-Pense pelo lado positivo. Vai se aposentar em plenos 35 de idade.

-Suma daqui seu filho da puta. Cretino.

Depois desta pequena discussão entrou numa espécie de ostracismo. Calou-se. Fechou-se para sempre.

Não respondia as perguntas, nem mesmo assistia ao telejornal, hábito que tinha todas as noites. Estava definhando lentamente. Talvez apodrecesse na mesma intensidade em que sua perna amputada.

Um dia não mais suportei esta situação e arrumei uma mochila surrada, catei alguns livros e uma foto nossa, num dia de pescaria, algumas camisas e calças e dei no pé. Não deixei bilhetes, nem pensei em matar o engenheiro cretino. Tive pena dele, afinal algum, dia, mais cedo ou mais tarde, um uísque daria conta do recado, fazendo aquele coração duro parar e apodrecer como a perna do velho.

Na estrada dei a mão em vão durante horas a fio. Tinha que me mandar rápido antes que alguém desse por minha falta. Mais eu não queria vê-lo morrer e pousar num caixão. Guardaria a imagem alegre de nossa pescaria. Resolvi seguir a pé pela velha estrada. Não tinha grana nem mesmo um real. Até então eu só estudava. Mais a minha coragem parecia grande, tinha asas próprias. Segui em frente. Eram três da tarde quando alcancei a curva onde sumiam as ultimas casas da cidade. Segui sem olhar para trás. Lembrei-me das aulas dominicais onde o pastor falava da mulher que virou estatua de sal por olhar para trás desobedecendo às ordens. Aquilo já não mais me pertencia. Naquela curva eu era outra pessoa, não mais o Filipe da Rua Voluntários. Rasguei o caminho até as nove da noite. Parei quando encontrei uma velha casa abandonada. A princípio tive receio de entrar, mais o frio que fazia naquela noite me poria no chão. Quando pequeno tive uma pneumonia, desde então meus pulmões tinham se tornado fracos. Observei por um tempo do lado de fora para ver se escutava algum barulho, algum ruído, um sussurro. Mais nada. Entrei o telhado da velha casa deixava ver um punhado das estrelas que estavam no céu. Procurei um canto onde o sereno não me incomodasse.
Adormeci...
Este é o primeiro capítulo, de um texto que se escreve aos poucos,estou dando um corpo a ele , que por hora está como uma novela.
GEORGIO RIOS

sábado, 30 de agosto de 2008

Um poema meu...

PÁSSARO

Voa pássaro
Que tuas asas são livres e tuas.

Voa e do teu ninho, segura morada,
Zomba dos homens
Sós e loucos
A voar em asas de aço,
Que não são suas.

Voa pássaro
Que tuas asas são livres
e tuas.





Este poema pertence ao livro Só Sobreviventes,Tulle, 2008-Publicado pelo nosso amigo Roberval Pereyr, poeta e editor...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Um vento noturno...

Noite alta. Grilos aturdidos denunciam o passar da madrugada.
Dentro da tapera Ângela, cumpre com dores, o sacrifício noturno.
Não acreditava em lobisomens, em caiporas.
Mais não poderia negar que o que lhe cobria fosse, em partes, misto de homem e monstro. Seus rogos, algo de soluço ou sonho, resvalavam pelos cantos da camarinha, num silêncio aparente e surdo.
Fora a noite empalidecia quebrando a maldição do encanto...

sábado, 23 de agosto de 2008

REAÇÃO

- Nunca subestime um homem.
Ele disse.
Depois de fazer os disparos, e enfeitar o fulano, com três pingos vermelhos, na camisa branca.

domingo, 17 de agosto de 2008

CONTOS CANIBAIS I

Ebert era psicopata em último grau.Chupava o tutano dos ossos finos de criancinhas. Vinte, constam no processo.
Acreditava que as crianças, eram aves de uma espécie em que não era possível encontrar penas, ou asas. Sentia-se reconfortado ao estalar os pequenos ossos, observar calmamente, verter o caldo, vê-lo minar por entre os dedos...

No hospício em que foi encerrado (não iria sair jamais; seu caso era irreversível) alistou-se voluntariamente para ajudante de cozinheiro...

Certo dia, de posse de uma faca,e com os lábíos empapados de o líquido vermelho, sucumbiu, ao descobrir que o que emanava dos seus pulsos não era xarope de groselha...
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PRIMEIRO CONTO DE UMA SÉRIE QUE SE CHAMA : CONTOS CANIBAIS.
GEORGIO RIOS

sábado, 16 de agosto de 2008

Bem vinda casa nova...

Abro a janela desta casa , para que os pássaros, as letras e os amigos possam passar ou migrar...



A primeira coisa que podemos imaginar numa casa nova é, sem dúvidas, como vamos nos portar de agora por diante. Alguns medos ou receios passeiam pela minha cabeça... Mais diante de uma janela aberta só nos resta debruçar e ver o tempo em suas cambalhotas. Por aqui postarei poemas, contos e causos, meus e dos amigos. O tempo ditará quem vem, e quem passa. Mais todos, todos os que por aqui figurarem, estejam certos de que são e serão sempre bem vindos...

Mi casa, su casa. Hermano (a)


-Tenho sempre comigo que: alguns clichês são necessários...



Georgio Rios