segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

RECEITA PARA UM BOM 2009


Leia os romances e os versos.

Fale com os amigos, e se puder, com os inimigos também.

Ande de bicicleta, a pé, e veja o por do sol.

Ame os mais velhos, abraços e beijos nos avós é uma boa pedida.

Seja mais atencioso com os que te rodeiam, assim sem medir tempo e espaço.

Vá ao cinema, ou assista em casa bons filmes...

Cuide do corpo, e da alma.


E se nada disso adiantar, ou sofrer mudanças significantes, você será mais gentil, mais sábio e leu o meu blog...


Feliz 2009

domingo, 28 de dezembro de 2008

Domingo



Respirar a poeira acima dos móveis
resguardar-se de ter esquecido
as respostas

Seguir a pé
ou em pé,
pena que não nos seja permitido
voar,
ainda que em tese
o fassamos diáriamente,
no oculto dos olhos distraidos.


Esquecendo do suor, da dor e das leis
infaliveis do pacato universo...





sábado, 27 de dezembro de 2008

TORNAR



Em pé, defronte a estante.
Imaginar a poeira que se estende pelas fotos
Rostos rotos,
Incertos.

Dentro da imagem pálida de uma alegre
e frívola foto
todo o passado, nos risos imprecisos
todos os sonhos nas roupas azuis
todas as formas, esquecidas
depois da pose,


de posse do futuro
havíamos delineado o passado
atentando à velha máquina
de prender pessoas e coisas
vazias.

Imagem:www.flirkc.com

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

IdÍlio

Apressar a pressa
andar confuso, de bicicleta
e até tentar contar as voltas
incompletas

não sou atleta
e até penso
que assim vale a pena
pena que não saiba, deveras

sei dos versos apenas
sei que os versos apenas
voam quando ando de bicicleta.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

CONFISSÃO



Talvez as sombras, e suas ocultas formas, possibilitem que eu me esqueça um pouco que é natal. Não sou chegado a esta data. Coisas minhas.

Não é superstição, augúrio ou qualquer coisa relacionada com instintos primitivos.Apenas um incomodo que me cerca neste período. Os amigos não têm do que se preocupar.

São só dois dias assim no ano...


Já já, este tal natal já deve estar longe... bem longe...

Fico aqui com a poesia, e os amigos é claro.


Dentro destas sombras
natalinas
Salinas feito o mar
recompor as sobras
soltar o ar dos pulmões
respirar
virar a página do calendário
saber que
invariavelmente os dias se sucedem
sem sombra de dúvidas
com sombras,
nas dúvidas...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SABIÁ



Hoje de manhã
de manhã cedinho
bem devagarzinho
veio me acordar
certo passarinho
que sem fazer ninho
cantou de mancinho
para me chamar

Um sabiá
eu sabia.

Um sabiá,
sabendo que me acordava
fez sua serenata
serena feito o mar...

Sabiá




Amigos, este sabiá fez o poema e soprou ele em minha janela esta manhã cedinho, bem cedinho.Ai eu botei o poema pra vocês lerem, e gostarem e sentirem e cantarem...





segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Hoje

Um sol
um som
uns sopros
sopranos
saxofones
falantes
dentro do Jazz
que ecoa em minha cabeça
dentro da inviolável esfera que pensa.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Novinho em folha


INFÂNCIA

Há um caminho de amarelas flores
Dentro do espelho.

Dentro do espelho
partículas esparsas do antigo menino
o velho pião
a velha bola
vagando
dentro do espelho

Resquícios da infância
dentro do espelho
o caminho da escola
os pais
o rio
dentro do espelho


Há a vida e o menino
e as sombras
e a bola
aqueles velhos cadernos
passando feito filme
dentro de certo espelho que desconheço

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ENÍGMA

Há o olho que nos olha
nos enxerga

Há o olho particular
olho de óculos
que nos olha como
oráculo

Amálgama
orando, de olhos fechados
abre-nos, certo infinito...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um poema

ELEGIA

A face escura
dos teus desejos:

esses
sonhos fugidos
e
entreabertos.

Deixa
escapar estas mágoas todas,

e lamentar
é o que me conforta
depois da certeza da tua partida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

CANÇÃO QUINTANAR



Na vida toda que nos resta
vivo , só com pouquinhos.

Advirto aos que estão com pressa:

Vocês, ainda passarão...

Eu,
ainda, passarinho.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sábado

Os sons, o cheiro.
E as cores dos panos.

Um teatro sob o céu.
O fogaréu das brasas
Frigindo o fígado mal passado.

O passado preso ao chapéu de palha...
As sandálias de couro
dando o ritmo da musica
da feira...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

RESPOSTA

De manhã
abrir as janelas
os olhos.

Recolher os raios
o amarelo solar
do dia.

Ostentar o incerto,
a inviolável forma,
por onde vemos
as nuanças do azul,
do incerto azul
do céu.

E sem rogos,
sem voz,
clamar
um deserto apelo
ao que desconheço.
Ao que me é particular...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sem título



Que nos seja permitido
desenhar os caminhos
e os sonhos, e as músicas
todas que esquecemos de ouvir
arrancar da estante os livros
e sobre suas páginas
rabiscar o mapa secreto
de lugar algum, e por fim,
acordar, em pleno estado de silêncio.

Sobre a foto: copyright by Georgio Rios.2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mais um poema!!! (2)

MATILHA

Era o cão e o canto
e as pernas cansadas.
O cão e o canto
-no escuro,
A rabiscar o nada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mais um poema!!!

CONFISSÃO


Sei das dores
gerais, e particulares,
sei da intensa condição
de ser

Sei dos passos,
das folhas, que escondem
segredos,
sei do medo,
que nos assevera,
sei

E sei,
que algo de mim é
pássaro,
e voa,
por mais que eu insista em
andar

domingo, 7 de dezembro de 2008

Hoje é domingo

Um dia pra olvidar, como se diz em espanhol...


Esquecer o ofício e o ócio
os orifícios
aquietar os ossos
e lembrar apenas do
obvio
estamos vivos e...
a morte é negócio.


O domingo continua lindo...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

UM CONTO MEU, PRA VARIAR!

DEPOIS DA GUERRA.


No lugar do coração tinha uma pedra”... Sempre me lembro disto quando estou nesta casa...

Um inverno, frio e úmido, onde a biblioteca é a única parte da casa onde não faz tanto frio. Não tremo quando estou por lá. Os livros sempre lhe serviram, em sua solitária companhia, meio que eremita. Uma velha poltrona de couro, umas poucas miniaturas de automóveis e seus livros. Estrelas de seu pequeno universo. Tudo bem arrumado, como da primeira vez que aqui entrei. Em cima da escrivaninha um álbum de fotos, da época do exército. Fôra Pracinha na Segunda Guerra.

Descobri todo um universo naquela pequena sala.
Entre seus livros pude ver e andar por lugares distintos: ora pelo “Deserto dos Tártaros” ora pelo “Grande Sertão: e suas “Veredas” me perdi por “Terras do Sem Fim” e singrei o “Mar Morto”. A minha educação foi a : “Educação pela Pedra”. Sempre que ia lhe visitar pedia que me deixasse dormir no quarto da biblioteca.Varava as madrugadas sentado na mesinha que tinha uma lâmpada logo acima. Ele tomou gosto pelo meu gosto de ler. Dizia-me sempre que: mesmo as dores, estas tão fieis companheiras, são menores quando temos os livros Assim foram todos os meses de julho que nós o visitávamos. O mesmo frio e demorado mês, todos os anos, os mesmos galhos nus circundando a casa.

Nestes dias em que passávamos o mês em sua companhia, pouco falava. Pouco saía de sua poltrona, perdia horas e horas, observando um quadro a sua frente. Um quadro onde figuravam, no cair da tarde, três mulheres descendo uma pequena montanha. Não ousei lhe perguntar o que via naquela cena. Ainda hoje o quadro pousa na mesma parede. Não reformamos a casa depois que ele se foi. Tudo permanece no mesmo lugar; os livros, as fotos, o quadro, a velha poltrona de couro, as mesmas árvores e seus galhos desnudos a circundar a casa. Pensei em levar os livros e as fotos comigo. Não o fiz tudo era parte de um só conjunto: impressões e coisas formando um só punhado de lembranças. Ele agora era de alguma forma aquilo.

Inquieto, andando pelos arredores da casa eu pude ver o jardim, ainda cuidado. Além dos livros sentia-se a vontade com as flores embora na maioria do tempo ficasse calado, com as flores tinha longas conversas. Mesmo com a guerra não tinha perdido de tudo a sua ternura. Era ríspido com as pessoas, com as flores não o era. Por isso sentava-me em sua poltrona, tentando abstrair daquele quadro o que o fazia perder tanto tempo a olhar aquela imagem, perder-se naquelas plagas imaginárias. Por várias vezes busquei saber o que via quais lembranças transbordavam das cores impressas naquela imagem. Minha mãe nunca falava do passado. Como eles viviam antes da ida dele a Guerra. Privava-me de qualquer informação que envolvesse seu passado. Uma nódoa pendia de seus olhos. Desde que ele morreu, ela não olhava ninguém nos olhos. Isto era a única coisa que me incomodava quando voltávamos àquela casa. Sentia a falta de suas indicações, seus livros prediletos, suas únicas palavras, deitadas dum lugar secreto.

Certa feita olhei as fotos uma por uma. Minha mãe as arrebatou como se temesse que eu descobrisse algo. Agora ele está morto. Além dos livros e das fotos, só a poltrona manchada de sangue e o quadro. Creio que o levarei comigo. Afinal, alguma coisa eu tenho que levar desta casa.

Uma lembrança para os tempos em que estiver longe...

Foi a partir desta atitude que se descortinou toda a questão que cercava os silêncios, o dela e o dele. Ele se calou para sempre com uma bala no crânio. Ela morria em cada palavra não dita. Do quadro desprendeu-se um papel, uma carta, onde ele dizia por que se mataria. Por ser meu pai. Minha mãe, sua filha e amante.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

RUBAÌYÀT

RUBAÌYÀT



Bebo vinho... /Bebe-o também/ Todos aqueles que,/ igual a mim,/ É digno de encontra-lo...
Omar Khayyàm




Suaves aromas secretos,
Taças...

Quero brindar ao silêncio,
E a soma dos seus ecos...

Aos meus mitos particulares,
Meus inventários.

Brindar ao rubro,
que verte o único vinho
imaginário...

E ainda em silêncio
amigos ;
brindar ao vento,
imóvel,
que varre o verbo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008


Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovãoMinh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter...
(Elomar)



TROVOADA


Meu campo branco,
caatinga,
chão que me cerca
terra,
minha terra...

A salvação,
vem do som do trovão.

A luz dos relâmpagos
alumiam os caminhos,
os ermos
e a chuva
faz a terra ferver e
brotar
verde

A terra rí, e dança em meus versos...



Foto: www.flirck.com