sábado, 17 de janeiro de 2009

Depois da chuva.



Hoje, enquanto chovia, me veio uma lembrança de faz muito tempo.

O vento forte, primeiro arrancava as telhas, depois às suspendia como papel no redemoinho.

De súbito, lembrei-me de certa canção que me embalava minha mãe. O vento ficou forte e começou a suspender árvores, as velhas algarobeiras tombavam, e eu comecei a ouvir:

-Boi, boi, boi. Boi da Cara preta pega este menino que tem medo de careta...

Um medo me correu as veias.

As árvores retorcidas, agora no chão, me diziam sobre a velha canção...

Depois de um tempo, a chuva parou, e a enxurrada levava as folhas soltas das árvores.
Não levava só as folhas, as águas, correntes daquela chuva levavam também meu medo...

Comecei a retirar a água da casa com paciência, e o medo levado pela enxurrada seguia como um barquinho de papel, feito na infância distante...



3 comentários:

  1. Boi, boi, boi...
    Muido lindo o medo indo rio abaixo como um barquinho de papel.
    Doce cantiga.
    Marie

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  2. Essa foi a cantiga de ninar da minha infância. Engraçado que nunca tive medo dela... tem um tom consolador e de aconchego de mãe e casa da gente.
    Linda, linda imagem. Adorei.

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  3. E obrigada pelos comentários no meu blog. Vou te acompanhar também, e aprender com barquinhos como esse do poema.
    bjs

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