sábado, 28 de março de 2009

EU vou estar na bienal !!!!

Programação Cultural - Praça de Cordel e Poesia

Poesia
Local: Praça de Cordel e Poesia
Data/Hora: 23/04/2009 às 18:00

Convidados: Georgio Rios, Paulo André e Thiago Lins
                                                  
   Mais informações em: www.bienaldolivrobahia.com.br

sexta-feira, 27 de março de 2009

Um pouco de prosa!

CANÇÃO DE DESPEDIDAS
Um blues para Beth

Estava aparentemente emocionado. Sua formatura fora no sábado. Agora de posse do canudo ia rumar por outras paragens. Dentro da velha mochila uma pilha de fotografias sem álbum, umas cartas de amigos e parentes, e as cartas de Beth. Os livros empilhados numa caixa de papelão amarrado com barbantes e duas bolsas grandes de couro com a roupa. Tudo no fundo do taxi que o levara para a rodoviária. Deixou a Residência universitária em silencio absoluto. Os colegas que ficaram o saudaram também num silencio cortante. Dentro do taxi não quis olhar para trás. Não saberia como reagir ante a imagem que deixara há pouco. Em suas mãos inquietas um livro de Borges, foliado sem atenção. Estava preso a alguma coisa que não sabia discernir, explicar. O motorista respeitou seu silencio. Não puxou papo como com os outros clientes. Viu apenas em seus olhos um ar inquietado e divagante. Parecia perdido em um labirinto onde uma neblina clara, dava ares de bosque aos seus olhos, que refletiam as luzes da cidade, deixada para trás. Imaginava como seria a sua chegada, muitos anos depois. Saiu cedo de casa para trabalhar e estudar num pré-vestibular. Lá conheceu Beth, namoravam desde então. Depois veio a faculdade, fez o curso de Letras. Gostava de livros, literatura e sonhava em ser escritor. Enfrentou a exigência dos pais que sonhavam com um filho advogado ou médico. No mínimo um bom engenheiro.

Aceitaram, contudo o bom leitor que tornar-se seu filho. Sempre brilhado e agradando aos professores e amigos dentro campus.

Alguns flashs amontoavam-se em seus olhos. Sabia muito bem como eles funcionavam (devido às aulas com o professor Edson, apresentara seminário sobre o assunto na disciplina Recursos e Tec. Audiovisuais.). Primeiro os olhos de Beth, as mãos dadas com medo recíproco, um blues batido no violão, as risadas rasgando a tarde de um domingo qualquer, os olhos incrédulos ante a lista de convocados, o barulho da máquina de cortar cabelos derrubando cabelos e medos ante o sorriso desenhado em seu rosto, os primeiros dias no novo mundo, o trote, as aulas, a voz de Beth ao telefone, as viagens de campo, provas, seminários, o terror ante a noticia assistida na TV da cantina, Beth preza entre as ferragens, o desespero e o impulso de pegar a bicicleta, a longa fila de carros que se formava, a multidão junto do carro, a tentativa de barrar sua passagem, a força maior que a força, a mão de Beth para fora das ferragens, o aperto forte das mãos, o Eu te amo, as lágrimas recíprocas, as mãos se soltando, a maca, a ambulância, o trajeto ao hospital, a porta que os separou, a ansiedade pelas noticias, a noticia fatal e fria,os olhos frios do médico: Não a mais nada a fazer, Ela se foi...

Decidiu cumprir o que haviam se prometido na noite em que saíram pela primeira vez: “haja o que houver não desistiremos nunca dos nossos sonhos”.

Agora estava ali no taxi. Perdido. Olhar vago. Uma lagrima percorrera seu rosto. Pediu ao motorista, que se assustou com sua voz, que fosse até a Rua da Paz próxima a rodoviária. Desceu do taxi caminhou ate o cemitério sabia onde ela estava enterrada, sentou-se em silencio. Balbuciava, com os lábios semicerrados, algo que não dava pra ouvir. Depositou o livro sobre o túmulo. Enxugou as lágrimas e chamou o motorista que olhava de longe: ainda havia algo a fazer, agora vamos, é que ela não gostava de flores...
CONTO INÉDITO.

segunda-feira, 23 de março de 2009

POR DO SOL


Desligar o celular.
As células.

Abrir os olhos e ver
que o por do sol
não é mentira.

Não medir as distâncias
as rentrancias do verbo.


Amputar a soberba
e sóbrio desequilibar
o fio do arame.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Para o amigo Mayrant Gallo.


IDIOMA


Para Mayrant Gallo

Meu idioma é o silêncio
seu reverberar absurdo
seu sílvo de serpente.


Meu idioma é o silêncio
seu idiossicrático abismo
seu relevo imóvel.

Meu idioma é o silêncio
suas cordas afinadas
suas saliências rítmicas.

Meu idioma é o silêncio
e seu profundo canto.



quarta-feira, 18 de março de 2009

Um casoa se pensar!


Dentro deste dias
dentro destas horas
saber por onde andar
andar sem ser notado
velho fantasma
rondando as ruas
valendo-me das sombras
me sobra a pequena
réstia de insegurança...
Apenas uma pedra, que se não me engano deveria estar rolando morro abaixo...

domingo, 15 de março de 2009

De qaundo eu menino


Ter a lua
lá no alto
brilhante
distante
e bela

E por ela
esperar
toda noite

Seu espelho
prateado
sua luz
azul
seu exato brilho

Quem não foi
criança?

E da Mãe Lua
tomou benção?


Hoje menino
grande ainda olho a lua
pela janela, de noite
em silêncio, querendo
tomar benção...

Sobre a Imagem, A mãe Lua aparece assim em minha janela.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Poeira


É de chão,
desta poeira de estrada
este pó silencioso
e cinza

este gris
que emoldura a tarde
sertaneja
que me enche os olhos
esferas cintilantes
vendo esta cena que se monta agora


Eu ainda vejo a lua, como ontem, bem cheia, linda,como daquela vez que vi no cinema.Uma cor que não se define. A estrada lembra Felini. É real, mais parece cinema quando consigo ver o meu dia do inicio ao fim, bem de noite quando já cerrando as pálpebras adormeço...


terça-feira, 10 de março de 2009

Dos dias na roça.


Aquietar o corpo na
beira do fogo de lenha.

Ouvir a brasa estalar
confidenciando o caos
amarelo.

Com o vento
ver as línguas da
labareda lambendo
a boca da panela de barro.



sábado, 7 de março de 2009

Para uma amiga...


Para Adrianna

(Metamorfoseando)

Um pedaço de mim
é tudo

e em nada me dispersa
hei de dissipar as luzes
e novas luzes trazer
desta jornada.

hei de ficar
onde caminho encontrar
onde houver
tal caminho

aninharei meus pés
nas veredas
e nestas sendas
aquietarei em silêncio
escutando as águas
que vertem do mais
secreto caminho
da mais profunda vereda
e caminhando ouvir a música
dos olhos distantes



P.S. A foto é um pedacinho do Sertão que ofereço a amiga Drí do blog: METAMORFOSEANDO

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dentro de mim mesmo...


Estar sem rumo
sem caminho certo
desmontado todas as veredas
desviando as pontes
e os que passam por ela

Atinar sem lume e desatinar

Não há rumos
e os rumores que ouvimos
são vozes de mortos
nossos mortos particulares
os mortos que colecionamos
enquanto dormimos
em tamanha profundidade...

terça-feira, 3 de março de 2009

SERTÃO!


Ser temporão, fruto agreste e aboiar sem rumo
em lombo de Lazão ligeiro.


Romper com qualquer cabresto, qualquer rédea.

Lazarar a passos perdidos,
cooptando as folhas desprendidas
os lanhos dos espinhos

E ler as epístolas dos mandacarus
das algarobas, recitar os caroás
e as macambiras.

Ser assim, ser tão forte
Ser Sertão...

domingo, 1 de março de 2009