sábado, 20 de junho de 2009

Sedimentos



É do barro, das águas fundas
que emana o homem.


Destas águas barrentas,
deste
verde regado a sal e sol
que se faz a bruta forma.

Destes desertos galhos brota
a seiva que nos nutre.
Nos conforta...

Resta mergulhar, neste rio
abissal que é
estar no mundo.


Ele já figurou aqui como fotopoema.

4 comentários:


  1. E você mergulha na poesia, quando estar no mundo é sentimento abissal.

    ResponderExcluir
  2. Belo poema, Georgio!

    Na lama, na água e em tudo mais de onde viemos, havemos de mergulhar profundamnete.

    Respirar cada gota, cada partícula de ar, único bem ainda não taxado pelo governo.

    Estar no mundo é ler sua poesia e meditar sobre isso.

    Beijos, poeta!

    Mirse

    ResponderExcluir
  3. gostei mto, georgio. só na terceira releitura consegui perceber o discreto paralelismo terra : água :: mergulhar no rio : estar no mundo. a matéria da vida é a dissolução da terra na água [águas barrentas].

    dissolução, aliás, q está mais para união, uma vez q não anula os elementos originais, mas anima-os em uma forma distinta.

    tb gostei mto dos pares de palavras quse homógrafas "sal/sol" e "bruta/brota". mas para meu ouvido acho q se vc escrevesse "que se faz a forma bruta", iria resalvar mais a impressão q a sutil troca da vogal no par ["bruta"/"brota"].

    isso tb aproximaria os efes de "faz/forma". tenho para mim q essa aliteração liga essas palavras como numa "rima semântica".

    será q estou mto confuso?

    no mais: quais são os poemas q estão no livro q vc lançou no clube do atores? está gostando do serviço deles?

    grande abraço e até a próxima!

    ResponderExcluir