quinta-feira, 23 de julho de 2009

Onde os olhos vibram

OBSERVAÇÃO

Olhar,
olhar profundo, para além do mar,
para além das tardes,
para a dança dos galhos das árvores,
parar na dança das folhas,
descendo... Descendo...

Entre o outono
e os outros pórticos,
as nuanças, as cores,
a insistência de certos
rostos, o gris da tez,
das pequeninas palavras
ditas.
Seu som em baile
de
leitura cega
do leite que emana dos
seios tenros,
luzes rutilantes
que embotam os traços
das antigas fotografias.

2 comentários:

  1. segue trecho do ótimo artigo "a crise da poesia brasileira contemporânea: considerações de um leitor cansado", de ranieri ribas, publicado em dEsEnrEdOs, a mais nova revista eletrônica de cultura e literatura.

    Numa primeira leitura poderíamos dizer que o multiculturalismo implica a imposição de um cânone axiológico às questões de natureza puramente estética, ou seja, ele subjuga os valores norteadores da boa arte em favor de valores alheios a ela, de natureza ideológica, política e cultural. Ou seja, valores impostos por grupos privados para afirmação de identidades coletivas. à maneira de Nietzsche, poderíamos dizer que o multiculturalismo é uma política coletiva do ressentimento, e como tal, ele quer destruir a Tradição em seu caráter público originário. Para que servem rótulos como “poesia piauiense no século XX”, “poesia capixaba hoje”, “poesia negra” ou “poesia gay”? Para conceder valor estético a quem não tem. Para destituir os critérios do belo de seu lugar soberano e sub-repticiamente impor a arte uma demanda ideológica que lhe é alheia.

    O multiculturalismo na poesia implica uma redução radical das esferas da experiência humana a uma única esfera, portadora da identidade do sujeito. O poeta enquanto pessoa se auto-entifica e abdica da sua completude humana, aliena o todo da sua experiência e de seu auto-reconhecimento em favor de uma “identidade” que se lhe impõe de fora, inautêntica. Trata-se de uma defecção dos modos de registro da experiência, reduzida a uma razão monocórdica e a um rótulo pré-definido.


    em tempo: não, faço parte da equipe editorial nem ganho cachê para fazer propaganda. apenas concordo com o diagnóstico do estado de petição de miséria da poesia brasileira contemporânea. princiapelmente se compararmos a produção de outros países, como portugal.

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  2. ops! o link para a revista é: http://www.desenredos.com.br/ensaio_ranieri_21.html

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