domingo, 16 de agosto de 2009

Um pouco sobre amigos que seguem os varedos da poesia






Um dos amigos em questão é Paulo André, um cara simples. Um bom amigo, e bom conhecedor de literatura. O conheci logo que entrei na Universidade, por intermédio de outro grande amigo, o Helivan, que participava de um grupo de discussão de poesia e literatura como um todo. Mesmo sendo eu um calouro na época o grupo me aceitou. E um pouco de tempo adiante o grupo se dissolveu por questões de incompatibilidade de horário para as reuniões, Helivan foi aprovado no vestibular para história e cada um seguiu o seu rumo pelos caminhos da universidade. Porém sempre mantive contato, sobretudo com Paulo. Por vezes tínhamos aulas em salas próximas e entre uma aula e outra, trocávamos informações sobre livros, autores, poesia e afins. Daí conhecendo o Thiago Lins, um cara meio aluado, mas com sacadas que só ele pode tirar da manga feito um mágico. Bom poeta também como o Paulo. Um Cinéfilo de carteirinha. Ele que por sua vez também estava sintonizado com os assuntos, aprovou e nós resolvemos que a minha idéia de criar uma revista literária seria a partir de um blog, onde colheríamos entrevistas, contos e poemas, principalmente de escritores baianos. Durou o tempo necessário para ser uma experiência de bons resultados, que até hoje dão a nós três, muitas oportunidades e grandes amigos. Os melhores frutos estão ai citados. E amizade resultante deste processo segue até hoje. As mesmas empreitadas literárias seguem sempre, fizemos até um livro juntos. Esgotado!E é essa coisa de união, amizade que elimina as distâncias físicas entre nós. Sempre há na caixa de email um poema, um texto, uma dica de livro um convite ou um conselho.

Neste pequeno texto eu queria deixar o registro desta amizade que se multiplicou em varias outras. Abaixo deixo um poema de cada um destes valiosos amigos e poetas.

Georgio Rios, Riachão do Jacuipe-Ba 16/08/2009

A imagem acima foi feita por Nelson Magalhães Filho, para a capa do livro: Só Sobreviventes Tulle 2008


INFÂNCIA
No baú
o velho carretel
o vela
o barbante.

A pequenina estradinha desenhando nostalgias.

O carrinho roto no piso
Cinzas do velho menino.

Paulo André (In Só Sobreviventes, 2008, Tulle) Mais sobre este poeta em: http://intestinogrossoii.blogspot.com/


O MONSTRO

Um monstro de múltiplas faces
está escondido no meu armário.

Olho no espelho e não
consigo me mover

Não consigo respirar.

Anseio por um sinal
por uma resposta
por uma vibração.

Será que o monstro do armário é Ele?
Será que Ele não é a minha esperança?
Será que Ele não é a minha palavra?
Será que Ele não é a minha morte?
Será que Ele não é a minha eternidade?

Mas, diabos, como saberei
se rasgo todos os dias poemas
como esse?

O monstro do armário está
perdido entre vermes.

Eu quero escutá-lo
Eu quero vê-lo

Mas só na extremidade final do universo
o monstro que não é monstro
chega bem perto de mim.

Thiago Lins (In Só Sobreviventes, 2008, Tulle) O caro amigo ainda não possui blog.

3 comentários:

  1. Pois é meu caro, amizade é coisa séria. Meu muito obrigado pela singela postagem. Aquele abraço. T

    ResponderExcluir
  2. Que bela homenagem, Georgio. Os meninos merecem. Bonita a amizade de vocês! Um grande abraço.

    ResponderExcluir
  3. A amizade se cosntrói assim, com poesia, arte, palavras, linguagem e muita alegria compartilhada. Vi estes meninos sempre burburinando sobre literatura...eu assiti-lhes de perto. Grande abraço! Nilson

    ResponderExcluir