domingo, 27 de setembro de 2009

DIÁLOGO COM CAIO E HOPPER



Night Windows, Edward Hopper


JANELAS

Todos os dias
da janela de minha casa
janelas escuras
apagadas

Já é tarde
é noite, é madrugada
e hoje janelas claras
acesas
do outro lado da rua

Lá dentro
algo aconteceu
pessoas preocupadas
deixam suas janelas
iluminadas


Alguns andam
em círculos, em vão
vão de lado a outro.


O outro está sentado
indignado
"como pode?"

Pode chorar
é válido
é o que faz alguém
no canto da sala.


Agora só resta
aquele que reza
e pede conforto
ou uma luz, que sai
pelas janelas
daquela casa.


Este poema acima é de Caio Rudá, um amigo que mesmo sem querer admitir que escreva boa poesia, compôs a peça ai de cima. Talvez esta insegurança seja apenas a falta de opinião de bons leitores. Eu disse que ele só teria leitores, e, por conseguinte, a opinião destes se o poema pudesse completar o ciclo que começa com a escrita e segue com a leitura e compreensão do leitor. Por isso estabeleci este diálogo poético com Caio. Para ler mais da escrita de Caio é só clicar AQUI


DA LUZ QUE FOGE DAS JANELAS

Um diálogo com Caio Rudá

No instante em que as luzes

fugiam,

e a alta voz dos lamentos

da minha casa

e da boca aberta

da minha janela,

emanavam os sons

e lampejos de alguma vela

distante

dos passos ansiosos

da mediana da sala.

Uma pequena ilha de

luz, vista de longe,

e a cena da descida

que faziam as lágrimas,

ondas de luz

que fogem das janelas da minha casa.




domingo, 20 de setembro de 2009

Uma tentativa


BAILE DE FACAS

Ser projetor de estilhaços
liquefazer as migalhas
lançar
as chamas
e expandir os tons das partículas.

Ir além da formula de triturar os
cantos do dia
e
argüir a ânsia desenfreada
de seguir em certa direção.

É preciso a precisão das facas
na superfície líquida da lâmina,
na dança ereta do sabre,
nas dobras do espelho,
em nuanças disfarçadas.

O nó desencava o nu
do dia.

As nuanças bailam sobre a profundidade da lâmina.

A faca tem sede de reflexos.
O espelho tem fome de luz.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Um Inédito de livro inédito ainda sem nome!!!





GOTA

Saiu e desceu de

dentro da bolha o projeto do mergulho

da ponta do trampolim de luz verde.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Olha eu aqui de novo!!!

DETALHE


Aspirar o ar que

nos enleia. Escutar os elementos.


Encher os olhos de lembranças,

e embotar os dentes

com páginas

de tempos amarelados.


Aqui, neste lugar,

onde imprimimos as sendas

e os seixos deste constante

caminho de traços diante dos espelhos.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Poema para minha filha.7 mêses de gestação!!!



MINHA FILHA


Surge um pequeno filete de alegria
e paz em meu caminho.


E logo crescerá, se tornará um rio
de mansas águas,
e belo leito,
por onde muitas coisas boas
me chegarão aos braços.

Eis que está vindo
minha filha.

O rio que deságua no mar
de minha felicidade.



Este poema é para comemorar a chegada de minha filha(ainda sem nome). É muita alegria mesmo. E ela é uma moleka lindona. Ultrasonografia em 3d... Eita que eu to feliz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Das minhas finas elucubrações!!!!


Me calo.

Há os verbos
não ditos
os olhos não vistos
os raros caminhos em que esito,
as portas que não habito
e os espelhos sem seus portais.


E talvez nesta noite,
eu e meu silêncio, assuntemos
a ciranda secreta destas estrelas.

E vejamos as faíscas inaugurais deste
poema, em rebanho, varar o alto caminho
que embota de luz
o universo.


Pois,
tudo é,
nesta noite,
até que o galo,
e seus ecos rasguem os infinitos
e acordem enfim,
o dia.


Imagem:http://www.flickr.com/photos/tatasoka/3837618443/

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sobre a condição do meu sono




SETAS



I

Nestes dias subalternos
de inícios, fins e meios,
sombras resvalam do chão,
chamo a imensidão dos finos meus
pensamentos.

(Na moda das emboladas)

II

Não resvalo suores noturnos
nem arritmias,
apenas perco o preço das páginas,
linhas, certos parágrafos,
e alguns cadernos.

Tão longe o mar
manda chamar a rebeldia dos
meus sonhos, versos e
ecos do velho Sertão...