domingo, 29 de novembro de 2009

Dois Poemas para celebrar o domingo e a Amiga Gerana.



GIRASOL


Para Gerana Damulakis


A flor do poema pede pássaros

Pede a música rara dos imensos temporais

Suas asas plásticas



(Seus solos)


Há música na flor do poema.

É possível ouvir os ventos

Invadirem os ouvidos,

leves...


Aqui , junto aos pardais,

é possível ouvir

o insistente silvar do vento

que anuncia:


Eis que vem Gerana

Com espadas de metáfora.





*****

AUSENCIAS


Chegará o dia de entrar

na casa

olhar as cadeiras,

e mesas


vazias,


Observar o mar do silêncio

que arruma a casa,


os ecos,


dos que deixaram

a casa.


Chegará o dia de ver

na casa

o espaço vazio

das janelas

o mato adentrando a porta...


E tudo.


Esta marcha de ausências,

o vazio

sílaba secreta

de certo norte

caberá na bússola de

dentro dos olhos.



domingo, 22 de novembro de 2009

Kafkianamente poético



PROCESSO



Descolorir
Os colibris e as flores,
Os olores, e as ânforas do Cairo.


De dentro do navio corsário, atirar
os vastos pássaros , e os ventos libaneses .


Os livros siameses
E os ecos desdentados
São o calço da estante que pende
No equilíbrio dos livros solitários...

Alexandria que agora vaga num mar intermitente.


IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/photos_clinker/295038831/

domingo, 15 de novembro de 2009

Outro poema!!!


AS LUZES


Descolorindo a tarde

Abrindo as portas da noite

E liberando as estrelas em rebanhos líquidos

De luzes.


Não posso olhar sem impregnar

As lembranças de fotografias e imagens

Retorcidas, no aço das lâmpadas

Nas ácidas incursões da estante

De livros quando a lâmpada se ascende

Ascende-se um fio de sonhos e uma coberta de imaginações



As páginas dão conta dos fatos que em vão vivemos, que deveríamos ter posto a prova.

As palavras não ditas inclinam aos olhos cansados, uma multidão de imagens baças em

prontidão com os elementos invisíveis que infestam as nossas cansadas pálpebras...



A pequena estrela

É a porta e a chave

Para as pequenas

E infinitas coisas

Que juntamos

Que perdemos

Ao nos olhar

sem pressa, para a vasta planície deserta do espelho.



Não há uma formula para o desconhecido

O secreto que há em cada palavra

Ativa o homem que se esconde a cada página virada.





IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/tizianotaddei/3383716520/


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

NA SEMANA...



PREPARAÇÃO PARA O CLICK


Tantas são as ânsias

E os mantras destes

traços.


Abraços,

laços rotos,

querendo beber à tarde.


Buscando o profundo abraço

os baços óculos,

os poucos ósculos

diante das ondas dos barcos.


Tudo é vermelho na roda do céu

Tudo está impregnado de certa luz...


Cai a tarde, o flash encerra a foto.



sábado, 7 de novembro de 2009

Para a amiga que gosta dos pássaros.



O RETRATO DOS PÁSSAROS NA TARDE


Para Martha Galrão


Os pássaros,

estes eram os rasgos que

enchiam a paisagem, na folha deserta

da foto da tarde.



(Pássaros migrando na nítida imagem da tarde)



Sobre a movimentação das sombras

sob as penas, o balé, imóvel da imagem

dos pássaros, lanças e pinças colorindo

a janela.



(Pássaros migrando na imagem da tarde)



Sobre os quintais,

as folhas desenhando o mar verde das plantas

sobre as risadas forçadas para os flashs das fotos

a marca oculta dos olhos

sem brilho na foto



(Pássaros migrando na tarde)



Pássaros voando,

na prisão oculta da moldura

filagramas de história de depois da cena.



(Pássaros migrando...)



Minha árvore em foto que fiz ontém. Ela está a espera de pássaros!!!