quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Estrada



Deixei para trás os chinelos

deixei os passos, no batente deste dia

de cores varias

de cheiros de indecifrável forma


Nas árvores da minha infância

há chuva de imagens que não decifro


vejo

o inferno dos outros no espelho

da velha sala de espera dos dias


atrás da porta um velho mar de

coisas guardadas na gaveta da memória


restos de lembrança e ventos

movem o mar que trago dentro


dos olhos!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Uma inquietação, de quando as horas travam batalha!



A MORTE DO TEMPO



Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida — a verdadeira —
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira...

(Mário Quintana)


Quis matar o tempo

Com mil armas brancas

Com mil barcas de fogo

quis fazer extinto este rito


(Das cinzas nasceu o tempo)


Quis por fim às horas

E sua eterna volta

Seu soturno retorno

para o encontro dos ponteiros


(Das cinzas nasceu o tempo)


Quis atear fogo, ao tempo

fazer das chamas dança,

festa por sobre as carnes do tempo

sobre suas velhas mortalhas


(Das cinzas nasceu o tempo)


Sobretudo quis matar o tempo

e morreu, o tempo que matei

tombou na inútil guerra que

tracei a faca e versos


(Das cinzas nasceu o tempo)



Morto o tempo passou

Pelos canos do relógio


(Das cinzas nasceu o tempo)


Morto.

Sem a ínfima vontade de adiar-se.



E passei, por sobre suas cinzas

O vento varreu os últimos detalhes

da cena...



IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/desconhecido/376327035/




sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Uma nau no deserto mar de dentro!!


NAU


Para Ana Tapadas do RARA AVIS


Cada canto destas portas ,

destes quartos,

a inclinação do aço que em vão corre

por sobre as dobras das portas

este tudo que habita ínfimos

espaços,

requer sol,

busca vertiginosamente por expulsar

as sombras que infestam as dobras,

cada milímetro que compõe o eco das paredes

cada oscilação entre mar e silêncio


Mar(Silêncio)


Março, esquecimento de muitas datas

a saliência que esparge as invisíveis gotas

da chuva que imaginamos

que desaba, sem pressa sobre a pressa

dos carros, das gentes

é preciso mostrar os dentes

ante as coisas que nos fazem menores.


Mar(Silêncio)


Para além da música: silêncio.

Para além do silêncio, as chamas, todas

que aquecem as rotas, marés secretas,

profundo mar que navegamos


IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/isaiasmalta/3740014161/


domingo, 6 de dezembro de 2009

AS panelinhas Viajantes e meu poema Eremita


EREMITA

Para Bárbara Joly, Wladimir Cazé e suas panelas viajantes

Acontece amigo
que a poesia requer sombra
uns poucos ventos soprados
nas páginas
olhares...

Estes lugares
secretos, donde vertem versos.

De cá olhamos, olhamos
e a vista curta da lida
nada divisa, além das partículas
de poeira

E só aceita o limo que se prende
em certas paredes.

Invejo as panelas
que não em vão viajam
enroladas nas roupas
e quietas conhecem lugares
de que apenas ouço que falem
de que vejo nas fotografias...


IMAGEM E TEXTO BASE :http://vinteecincoinquietacoes.blogspot.com/2009/12/panelinhas-viajantes.html