sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Uma inquietação, de quando as horas travam batalha!



A MORTE DO TEMPO



Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida — a verdadeira —
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira...

(Mário Quintana)


Quis matar o tempo

Com mil armas brancas

Com mil barcas de fogo

quis fazer extinto este rito


(Das cinzas nasceu o tempo)


Quis por fim às horas

E sua eterna volta

Seu soturno retorno

para o encontro dos ponteiros


(Das cinzas nasceu o tempo)


Quis atear fogo, ao tempo

fazer das chamas dança,

festa por sobre as carnes do tempo

sobre suas velhas mortalhas


(Das cinzas nasceu o tempo)


Sobretudo quis matar o tempo

e morreu, o tempo que matei

tombou na inútil guerra que

tracei a faca e versos


(Das cinzas nasceu o tempo)



Morto o tempo passou

Pelos canos do relógio


(Das cinzas nasceu o tempo)


Morto.

Sem a ínfima vontade de adiar-se.



E passei, por sobre suas cinzas

O vento varreu os últimos detalhes

da cena...



IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/desconhecido/376327035/




4 comentários:

  1. Lindo Georgio!

    Perdão amigo, pela ausência, nem sempre querida, mas é o tempo que a faz.

    Depois de ler esse belo poema, quero desejar um Natal com um TEMPO de AMOR só para ti e tua família, assim como um Ano Novo CHEIO DE TEMPO, pois o mundo precisa de teus versos.

    Beijos

    Mirse

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  2. Belle poiesis...demorei mas cheguei. abç, amigo

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  3. O tempo - Deus feroz e impiedoso - passando pelas lâminas dos versos de Georgio Rios. Valeu, poeta.

    JIVM

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