sábado, 11 de dezembro de 2010

E novamente a poesia transborda.


AS POSSÍVEIS MARGENS DO RIO

Do rio o sumidouro,
ancoradouro de alguns suicidas,
de algumas pedras,perdidas,
na falta esquiva do caminho.

As flores seguem o vão da correnteza,
buscando portos, ao de algum barranco.

E eu, ser de vastas águas passadas,
navegando um rio de infinitas margens.


domingo, 21 de novembro de 2010

Silêncio, por favor!


Domingo deserto

Este domingo quente, em que da cozinha olores emanam das mangas na fruteira, eu, penso na não existência, como um som que cumpre suas ondas e depois desaparece, abrindo a porta para o silêncio. O silêncio é tudo que almejo neste domingo, apenas. O silêncio, velho, e vazio como uma taça abandonada depois da festa.


domingo, 14 de novembro de 2010

De quando falta a poesia.


                                                       Foto: Florival Oliveira





I

O domingo se desgasta na minha janela,
o sol segue,
e esta é a última cena

II
Nos fios do poste,
pardais armam uma silenciosa sinfonia
para o anuncio do gran finale.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

POEMAS POEMAS SEMPRE OS POEMAS!


COSMICAS

As vezes me acuso de
escrever poemas,
assim como quem colhe flores
ou semeia árvores, pássaros.

Assim como quem tira coelhos
da cartola
ou solta bombas nos transeuntes
ou ouve o som de Chaplin ao violoncelo.

As vezes me acuso de escrever poemas,
Destes que se ouvem na rua,
e é quando os pássaros me acordam. 

domingo, 24 de outubro de 2010

CRONICAZINHA DE DOMINGO


Hoje é domingo. Acordo neste dia pedindo pra que ele demore acabar. É o único dia em que posso ficar, deliberadamente, em casa. Ler meus livros e inclusive acordar mais tarde (09h30mim), diferente dos dias de meio de semana (6h30mim).
Mais o melhor é que o domingo resulta o dia mais poético, não só por ser o dia em que consigo escrever meus poemas. É poético também pelo fato de que passo o dia inteiro com Yasmim, e é justamente com ela que aprendo muitas coisas sobre atitude poética. Por exemplo, hoje ela estava engatinhando pela sala da casa quando de repente, viu uma réstia de sol, que se projetava das telhas, no chão da sala. Insistentemente tentou pega-la nas mãos. A cada golpe, olhava para as mãos, e ao olhar para o chão, via novamente a réstia no chão da sala. Bem, ela não conseguiu pegar o raio de sol com as mãos, como era de se esperar. Mais a lição de buscar o inalcançável ficou martelando até agora na minha cabeça.  


PORTAL
As mãos, pequeninas
em movimento de música
buscam por um caminho luminoso
ao chão]
 o portal aberto
na pequena senda de luz
ainda se manifesta agora
dentro das telhas de minha cabeça.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poesia, e porque não?


RÍTMO

No hemisfério de cada gota
Um súbito oceano
Sobre as voltas de mínimas orbitas

No chão correm
Como se tangessem uma invisível
Boiada de silêncios

domingo, 3 de outubro de 2010

Domingo amanhece e deixa poema.




CAFÉ AÉREO

As moscas
zunindo ,
                 caindo,

(não na sopa)

aviões
       de
               guerra
sobre o açúcar,
             do café,
                        de manhã,
onde as facas refletem
                 azuis nuanças
do céu.

As narinas abrem-se,
abraçando o cheiro do café que
minha mãe faz,
ordenando suas mágicas frases secretas.


 Clique na imagem para ler o poemosca.