domingo, 31 de janeiro de 2010

POEMA



CANÇÃO DE VENTOS


Chove em meu coração,

que dita pequenas e inúteis guerras,

que abre portas e deixa escapar

certas notícias daquilo que desconheço,

e destas, das que desconfio...


(E a quem não interessar deva, ou possa!)


Quero admirar a ironia das pedras em sua

imóvel fúria de sal e sol,


e por vezes sombras,

algumas aves a lhe cochichar segredos de asas.


(E a quem não interessar deva, ou possa!)


Sinfonia marinha de ondas,

das vagas que movem

o mar as mesmas forças imóveis dos barcos

as gastar seus cascos no carinho caustico das ondas


(E a quem não interessar deva, ou possa!)


Ouvir certas cores que depõem a curva da tarde,

quando os olhos, só os olhos, pedem que tudo termine em

Silêncio , apenas.


IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/45163059@N04/4208126353/

5 comentários:

  1. Gostei da originalidade dos versos entre parênteses, inclusive porque funcionam como uma força, um fôlego, para o que se segue.

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  2. Belíssimo diálogo entre alma e natureza, o silêncio dando o tom à musica das palavras. Grande abraço, meu amigo.

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  3. Que lindo Georgio...!!! a quem interessar possa, é claro! Aos que tem ouvidos, olhos e sensibilidade!
    esmaques pra ti!

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  4. Belíssimo, Georgio!

    "Quero admirar a ironia das pedras em sua imóvel fúria de sal e sol, "

    Amo o silêncio das pedras. Leio muito
    Manoel de Barros.

    Seu poema é único e se debruça sobre a natureza!

    Forte abraço!

    Mirse

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  5. Também achei o poema muito original e a foto bem escolhida e sugestiva.
    bj

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