domingo, 14 de fevereiro de 2010

Domingo dia de poema



PONTO DE PARTIDA


Por não sofrer a dor das pétalas,

nem o sangue das rosas, escorregadias,

é que acabo pastoreando versos,

vôos.


Na amplidão das janelas,

eis que sou pedra dentro da

inquieta e sonolenta manhã que abre

os dentes.


(Uma ave passa no poema)


Rasga o céu da página, na rasante

fuga do símbolo, a sombra do pássaro

passa, o pássaro com sua sombra, sobra

e passa.


(Uma ave passa no poema)


Pela tela da retina meus olhos

passam pela cena que desenrola

esta cansada máquina de dizer coisas.


(Uma ave passa no poema)


Lava a página e despeja metáforas...


IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/flaviocb/161973925/



4 comentários:

  1. uma ave passa no poema... talvez queira pousar nos versos, talvez queira repousar nos versos.

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  2. Gostei muito do poema! Venham mais Domingos!
    bj

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  3. Meus pensamentos no ralo das horas/
    passam uns, outros mofam /Quem move esta máquina ontológica/ de moer remoendo/ tudo que me pensa por dentro? / ... Um poema por inteiro / às vezes me escapa /quando o tempo é meu mestre / e aprendo a desentupir a pia. (Fernando Campanella)

    É isso, Georgio, uma ave passa na mesmice dos dias... e um poema se cria.

    Grande abraço.

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