quarta-feira, 31 de março de 2010

Um poema bilingue de Georgio Rios



EL SONIDO DE LA PIEDRA ( español)


Quiero abrir las puertas de las piedras

Y asentar en las piedras impresas,

Experimentar el viento


Del desierto de la senda

Engendrar los pájaros y sus pieles,

Mover la música, tocar los muslos de la música,

Oír el sonido

Del árbol que hace sombra a la puerta de la casa


Cuantas sombras deambulan en el patio de la casa, mira!


Hay una infancia en la apertura del día,

Este día que huye hecho rio.


Restra un lamento solitario en el derribar de la tarde,

Y el vuelo de los pájaros, en la línea que separa la tarde,

Del abrir negro de al noche en cayendo llegada.



O SOM DA PEDRA ( portugês)


Quero abrir as porteiras das pedras

E assentar nas pedras impressas,

Experimentar o vento


Da imensidão da senda

Engendrar os pássaros e suas peles,

Mover a música, tocar os músculos da música,

Ouvir o som

Da árvore que sombreia a porta de casa


Quantas sombras vagueiam no terreiro da casa, espia!


Há uma infância na abertura do dia,

Este dia que foge feito rio.


Resta um aboio solitário no varar da tarde,

E o vôo dos pássaros, na linha que separa a tarde,

Do abrir negro da noite em desabando chegada.


IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/marimagno/3251404765/



Comentários e observações, sobretudo na tradução serão sempre bem vindas!!!

domingo, 28 de março de 2010

Entrevista para a REVISTA MUITO, GEORGIO RIOS, 28/03/2010

CRÉDITO DA FOTO: Gilflash fotografias


Por: Kátia Borges


Você é um poeta do interior, sente que fala de um lugar especial que de algum modo o define?


De certa forma sim. Embora tenha andando na cidade grande. -Tive por lá estudando. - abraço esta condição de homem interiorano, de homem que observa, e sente as coisas simples, estas coisas que permeiam os versos que escrevo. Tais coisas, que abundam em meus versos, são latentes nas cidades do interior. Sendo assim, estou ligado ao cotidiano. E isso, sem dúvidas, se reflete na poesia que escrevo. E, olhando por este ângulo, esta poesia me define. Contudo, prefiro pensar que estou em constante processo de transformação.

A internet diminui a distância entre os poetas? Imagino que seja mais difícil ainda pensar e fazer literatura numa cidade pequena.


Sim, creio que sem este contato proporcionado pela web muitos de nós que escrevemos estaríamos num gueto, muito mais restrito do que já é o gueto da poesia. A web é responsável por este contato entre os poetas, e diminui as distâncias, assim como ocorre com os outros usuários da rede. E este contato tem fortalecido uma rede de disseminação de poesia, que trás bons resultados. Sem a web eu não seria lido em Portugal e Espanha por exemplo. Porém o Modus Operandi, meu blog, tem leitores de varias partes do Brasil e do Mundo. Sem a web, não teria uma entrevista minha no site Cronópios, poemas meus não estariam numa infinidade de sites e blogs. Isso seria impossível sem ela. Porém há um lado mau nisso, sem o devido cuidado nos tornamos seres essencialmente virtuais, e somos de carne e osso. Um bom papo ao vivo é infinitamente mais proveitoso.

Quando se trata do pensar, e do fazer literatura numa cidade pequena, há as dificuldades sem dúvidas, mas, tento romper esta questão geográfica que limita. E alguns escritores têm surgido das conversas de fim de tarde. Amigos que se descobrem escritores ao falar de literatura e mostrar o que produzem.

Estamos: Eu, o Caio Rudá e Ricardo Thadeu, (poetas) formulando o Coletivo Zero de escritores, poetas Jacuipenses, para disseminar poesia pela cidade.


Lanço pela internet meus poemas, como garrafas de náufrago, e as respostas tem sido boas. Em 2009, fui parar na Praça de Cordel e Poesia, da Bienal do livro da Bahia. Meu livro de esteia foi editado no Rio de Janeiro, e, outro livro inédito já esta sendo engendrado para logo em breve. Portanto fica o conselho de Pessoa: “Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: /” Navegar é preciso; viver não é preciso”.


Como nasceram os poemas deste seu primeiro livro?


Da velha e boa observação do cotidiano. Escrevo, sobretudo pelos olhos. Muito do que vejo vira matéria de poesia. Sem eles acho que não escreveria, e quando falo sobre isso me lembro de João Cabral de Melo Neto, que sem sua visão, deixou que a poesia silenciasse. É o que entra pelos olhos que ativa a célula poética que carrego. Cada poema que escrevo nasce de uma imagem, que se metamorfoseia em versos, sons e ritmos. Sejam os poemas deste livro, sejam os do blog, os que compõem o livro inédito. Os que ainda escreverei.


Como tem sido a receptividade na imprensa local e em Salvador?


Aqui, a receptividade vem das pessoas, que racionam de formas inesperadas. Aquelas que ouviram no rádio o nome do ex-aluno ou colega, e, que chegam até você e te dizem, comprei teu livro, li, e o que li me emocionou. Uma professora minha do primário, leu o livro, e disse ter se emocionado com cada palavra que leu, sobretudo porque muito do que escrevo, disse ela, parece com a poesia de Manoel de Barros que ela admira. Me senti em falta,por não ter lido um livro inteiro de Manoel, comprei o Livro das Ignorãças, hoje vejo que ela fez uma leitura atenta.

Em Salvador, a Gerana Damulakis, do Leitora Crítica, fez um belo texto com a sua leitura do meu livro, está no blog dela. Deve sair algo na Verbo21,e agora a Muito me abre este espaço. Creio que as coisas estão clareando.


A leitura de seus poemas aproxima o leitor desse universo, no qual o tempo parece mais lento. Quais os sentimentos que o mobilizam em seu processo criativo?


Tenho esta briga particular com o tempo. Não consigo aceitar que uma convenção, possa nos subjugar desta forma. Minha poesia tenta subverter esta liquidez que tem o tempo. Há uma esgrima secreta quando estou a escrever meus versos. Cada poema meu tenta por um grão de areia para a parte de cima da ampulheta. Escrevo para subverter o tempo. Lembro, porém de Camus, e seu mito de Sísifo. E não projeto o resultado da batalha. A rocha rola montanha abaixo e já é hora de levantá-la ao cume novamente. Criar é o que sobra deste processo. Carpintaria de imagens e suor. Eis o sentimento.


E o projeto da revista literária virtual?


É um marco em minha trajetória literária, pelas portas que me abriu. Através dela conheci muitos escritores que se tornaram meus amigos. Alguns eventos foram realizados tendo por base os leitores e colaboradores da revista. Me ensinou a ler e respeitar as várias formas de escrever. Porém ela segue em stand bay, desde que Paulo seguiu pro mestrado e Thiago tomou rumo semelhante. Eu, por minha vez, estou fazendo mestrado em paternidade. Yasmim minha filha é a pesquisa. Assim, as coisas foram tomando este rumo e as prioridades foram estabelecidas. Mais há por baixo das cinzas a brasa pronta para incendiar. Estamos nos arrumando para que se possa por a lenha necessária a reativação da chama da “Entre Aspas” literatura e afins. Em breve teremos novidades, o projeto segue mesmo que não apareça no blog. Estamos trabalhando para que ela volte a circular. O time deve receber reforços e entraremos em campo logo, logo.



sexta-feira, 26 de março de 2010

Uma pequena guerra imóvel


BATALHA

No campo aberto do meu sono
Uma batalha e pequenas guerras

O soar de clarins distantes
O tropel de cavalos, asas e fogo
No vale dos ossos secos

Nesta guerra de rotos estandartes
A movimentação ordeira das tropas
E a inquietação orgânica dos sonhos

Sob o som das lanças frementes
A lustre inquietação das luzes acesas
Do vale das sombras da morte

Não que me atormente a batalha
Nem me amedronte as ânsias

Caminho pelo código secreto
Levo a espada aberta das coisas que sei
O escudo das que presumo
E o capacete das que desconheço
Mais um passo rumo ao seio da tropa


IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/vitor107/401246364/

domingo, 21 de março de 2010

Música e poesia



ÁRIA


Cada gota garimpa as cordas

Deste violino que a chuva toca, suave.


A mágica acontece em cada clave

Notas como chaves para abrir a noite.


As pausas deste vento, sussurrante

Eriçam a estante, as páginas, seus secretos ninhos

E no staccato dos pingos

Uma porta abre para olhar mariposas

Na lâmpada

Do poste.



A noite dorme quando chove

A noite morre quando chove

(Suspensão e fermata.)






IMAGEM:http://www.flickr.com/photos/31550969@N05/3019522264/

terça-feira, 16 de março de 2010

Dominio proprio!

Caros amigos Agora Meu blog já tem Domínio próprio.

www.georgiorios.com

Não se preocupem o blogger direcionará o endereço antigo para o novo Domínio.

Um abraço a todos!

Georgio Rios

sexta-feira, 12 de março de 2010

CASCA/CASA



A CASA/CASCA DO CORPO TEMPO


O corpo cospe as culpas

de quando o corpo/culpa

coloca os cardos no caminho.


Nas curvas deste rio de coisas,

a lânguida evolução das águas,

lágrimas, chuva imóvel,

na concha das mãos, que envolvem o rosto,

as rotas rugas, fuga das curvas do relógio.


O Ser, do quando e das coisas

o quando agora,

o sim depois agora,

o entrelaçar do tempo antes,

o contar incidente dos ponteiros,

a luz, jus-nascente, das janelas.


O golpe final do silêncio,

esta espada, que verga sobre os ombros

dos homens, as estridentes sombras

dos passos dentro do homem,

entre o aqui e o agora do ontem sempre.