sexta-feira, 28 de maio de 2010

POEMA_OLHO_VERSO



LITANIA

“Aquele animalzinho indefinido, achado
na estrada acidentada do sonho,
te molesta” Wladimir Cazé


Se são felizes, eu não sei, os pássaros,

Apenas comparo seu canto, ao lamento.


Na arquitetura fria das gaiolas,

Não sei se cantam por esmola,

Ao distrair, com magia,

A fria paz dos seus algozes.


Os trinados, seus, soam como passos,

Ecoando firmes, nas grades da gaiola,

Enquanto a tarde sem demora

Compensa-lhes com sua luz de gritos.


Notas, do suave violino,

E as arfantes arcadas, entoando o surdo

Hino,

Canto fino, a liberdade que espera.


IMAGEM:www.flirck.com

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Transformação cotidiana

O OFÍCIO DE SER ÁRVORE


Não abracei o silencio por acaso
Foram os ventos das folhas soltas
E o abraço tenro dos galhos
Que me fincaram no chão

Pés raízes,
O sustento seguro aos que
Em pé, ouvem as nuvens.

Aos que na imobilidade das pedras
Podem açoitar a tarde
E esperar sua marcha de
Vermelhos passos indecisos,
Insidiosos movimentos de compor
Músicas.

Estamos impregnados de cotidiano
E presos nas fotos. Envelhecemos sem pressa,
Sem pressa.
 

quarta-feira, 5 de maio de 2010

De volta a poética cotidiana


 













DEGUSTAÇÃO

Dentro do deserto enxuto dos meus olhos
Um ponto em situação de distancia
Uma porta sem chaves.

Uma figura exígua e fluída arquiteta espelhos
Deambula nas curvas do secreto labirinto,
Uma chuva de pequenas cenas
Pende das folhas.

Aquieto, aqui onde há som,
Onde as luzes podem ferir meus olhos
Minhas pálpebras sorriem para a cidade
O ente que nos engole, nos digere,
Substancia que deglute homens
E árvores, aeronaves
E sombras que descem da fulirgem dos prédios
Da muda ausência de sons
Dentro dos prédios, prenhes de atos.

Cada porta, curva da labiríntica Atlântida em que vivemos
Nos alerta para o sono, nos ensina.
A cidade abre a própria cidade e nos engole
 Urbe/Cronos na degustação dos filhos.