quarta-feira, 5 de maio de 2010

De volta a poética cotidiana


 













DEGUSTAÇÃO

Dentro do deserto enxuto dos meus olhos
Um ponto em situação de distancia
Uma porta sem chaves.

Uma figura exígua e fluída arquiteta espelhos
Deambula nas curvas do secreto labirinto,
Uma chuva de pequenas cenas
Pende das folhas.

Aquieto, aqui onde há som,
Onde as luzes podem ferir meus olhos
Minhas pálpebras sorriem para a cidade
O ente que nos engole, nos digere,
Substancia que deglute homens
E árvores, aeronaves
E sombras que descem da fulirgem dos prédios
Da muda ausência de sons
Dentro dos prédios, prenhes de atos.

Cada porta, curva da labiríntica Atlântida em que vivemos
Nos alerta para o sono, nos ensina.
A cidade abre a própria cidade e nos engole
 Urbe/Cronos na degustação dos filhos.


3 comentários:

  1. Quem de hábito leva olhos a espargir paisagens. Tudo toca a boca imensa e os labirintos das ruas, povoadas de faunos infantis. A lingua saliva e quer mais carne. Deguste-se, pois.

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  2. Só uma palavra: belíssimo.
    Beijinho

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