terça-feira, 29 de junho de 2010

PARTITURA VISUAL

























AS LINHAS
A vida é uma cilada do tempo
Nos ofende em sua breve pressa
Inebria-nos sua breve miragem.

E também dança,
Ato de galáxias que bailam
Sob as ordens do sono
Sobre as ondas dos sons
Dos mares, em seu caminho e suas ondas.

Fim de tarde,
Gaivotas descem,
Visualizam a praia, ultima vez
Ao sol dão o aviso, e a tarde zarpa
Para mares distantes onde a noite corta
A multidão dos horizontes.

IMAGEM Florival Oliveira

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Galope do Amigo Roberval Pereyr

GALOPE

Meus pensamentos são meus camelos
Meus pensamentos são meus cavalos

(com uns cavalgo para o silêncio
com outros marcho para a saudade).

Meus pensamentos são meus cavalos
Meus pensamentos são meus camelos

(sou sertanejo, nasci nos matos,
ando a cavalo para mim mesmo).

Meus sentimentos são meus desejos
em que me vejo perdido, e calo.

Meus pensamentos são meus camelos
Meus pensamentos são meus cavalos


Se um poema falasse, ao menos um pouco, do que em nós é imperativo. Com certeza um poema que me desvenda é Galope, poema que me sintetiza enquanto ser inquieto é este do Mestre Roberval Pereyr, que foi meu primeiro editor, com coragem investiu no que acreditava da poesia minha, de Paulo André e de Thiago Lins. O livreto, Só sobreviventes foi um ato de coragem, sobretudo do Grande Amigo Roberval*.



*O poeta baiano Roberval Pereyr (1953-) é um dos mais ativos militantes da poesia no país. Co-fundador da revista Hera, junto com o poeta Antonio Brasileiro, é professor de literatura na Universidade Estadual de Feira de Santana, BA. E Um grande amigo.

domingo, 20 de junho de 2010

Música para olhos.


CANTILENA


Eu abro meu peito

Em tua direção

Canção de ventos a esculpir estradas.


Ouço o eco das gotas

Staccato furtivo

Que me move.


Ouço o passo exato das flores

A dança incerta das folhas

Soltas

Ante meus olhos

Abertos, na inquietação de

Esquecer,

Perdido.


Abandono as coisas

Que me cercam

Quando as tomo para mim.


imagem:Florival Oliveira


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Devido a ter (re)nascido ontém.

PEDAÇOS

Nada resta
das falhas,
só os riscos no asfalto,
e os destroços das máquinas.

Pedaços de páginas
e pedras que emblemam os fatos.

Um segundo a fração exata
entre aqui, e do outro lado.

Enquanto as núvens seguem
e marcham.

É preciso incluir as núvens neste processo.
É preciso acrescentar os pontos certos ao conto.
Antes que as capas se fechem.

domingo, 6 de junho de 2010

Aos Meus amigos Um convite!!



AMIGOS PÁSSAROS

Recentemente as aves baixaram,
Imprimiram seu vôo,
Nas condensadas nuvens da existência.

Entre os passos da insistência aboiei,
Fiz ecoar meu canto.

Amigos são como aves,
Voam,
Alguns voltam,
Muitos voltam,
Quando, as portas estão abertas.

Outros, na imensa coberta azul dos céus,
Estabelecem seus vôos.

Acho até que viram estrela,
Minha mãe já me ensinou isso,
Na sua angustia de espantar a ausência.

Hoje tenho ciência de que o mundo nos abriga
A dar saltos.

Enquanto a voz da minha mãe ecoa:
Viram estrela meu filho. Brilham no céu.
Agora não podemos alcançá-los.



Recentemente alguns amigos, reais ou virtuais não importa, partiram. E neste momento de despedidas as lembranças são inevitáveis. Fui invadido pela lembrança que figura no poema. Quando alguém morria, ela dizia: “Viram estrela meu filho” E eu passava noites observando os amigos que estavam brilhando no céu. Hoje nem sempre posso visitar meus amigos que se foram. Nem sempre o céu está aberto, sem nuvens para ler o brilho que falam os amigos que se foram. Se não conheci pessoalmente Damário, nem tive a oportunidade de abraçar Maria Sampaio, isso não importa. O que eles escreveram nos aproximou e criou laços que seguem. O céu tem o brilho deles na figura de uma distante estrela. Isso é uma questão marcada na pedra. Não exclui os demais amigos são todos importantes pra mim. E para não deixar de dizer o quanto os amigos que achei em meus vôos pelos céus da literatura são importantes dedico-lhes este frágil poema acima. Para que sempre saibam que os carrego, por onde ando, e sempre nos encontramos, seja nos pousos da vida, seja no aconchego das páginas.


A meus amigos: Mayrant Gallo, Carlos Barbosa, Roberval Pereyr, Idmar Boaventura, Wladimir Cazé, Sandro Ornellas, Dênisson Padilha Filho, Gustavo Rios, Nicolas Behr, Cleberton Santos, Ricardo Thadeu, Caio Rudá, Lupeu Lacerda, Lima Trindade, Antonio Naud Junior, Emanuel Mirdad, Bruno Gaudêncio, Wilson Gorj, Chico de Assis, José Inácio Vieira de Melo, Alexandre Bonafim, Paulo André, Thiago Lins, Beto Canales, Joaquim Gama de Carvalho, Vitor Nascimento Sá, Elieser Cesar, Nelson Magalhães Filho, Márcio-André, Anderson Fonseca, Patrick Brock, Nilson Galvão, Marcus Vinicius Rodrigues, Valdomiro Santana, Herculano Neto, Ediney Santana, Eliana Mara, Mônica Menezes, Renata Belmonte, Ângela Vilma, Jurema de Souza Barreto, Marie Cobertta, Nívia Maria Vasconcelos, Lidi Nunes, Marta Galrão, Gerana Damulakis, Jana Lauxen, Karina Rabinovitz, Ana Tapadas, Kátia Borges, Katherine Funke, Raiça Bonfim, Adelice Souza, Bárbara Jolie...


FINEZA: SE VOCÊ NÃO ESTÁ NESTA LISTA, FOI POR FALHA MECÂNICA DA MEMÓRIA. Ela vai estar sempre sendo acrescentada.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Maria Sampaio, Adeus!!!




A ÚLTIMA FOTOGRAFIA

Para Maria Sampaio, em memória



Há um que de silêncio,

No movimento das águas.


Há um que de silêncio,

Na poeira do cais.


Há um que de silêncio,

Quando em nós as lágrimas,

São a extensão do mar

na saudade do que parte.


Há um que de silêncio,

Quando o vento bate rasteiro no rosto.


Há um que de silêncio,

E a saudade dos sorrisos.


Há um que de silêncio,

E os olhos sempre amigos.


Há um que de silêncio,

E o som da voz que perpassa a lembrança.


Há um que de silêncio,

Nos flashes das fotos

E ainda assim a saudade depois que

Há um que de silêncio. Silêncio.


FOTO: www.continhospracaodormir.blogspot.com


Para a amiga que não pude abraçar.