domingo, 11 de julho de 2010

Domingo dia de poema I I


O SOM DAS COISAS

Eu busco uma linguagem
 que corte o fôlego, sufoque
Uma linguagem
 brusca que corte as carnes do tempo
Eu busco uma linguagem
 sem cor que remeta facas em sua freqüência
Uma linguagem
 em uma língua indevida aos ouvidos sensíveis, e aos surdos
Eu busco uma linguagem
 de cordas, que feridas, dêem asas aos menores ecos,
como a visão de “um bando de pássaros...”
Uma linguagem
 de caos, de cacos, uma destas linguagens que furem ou firam
Uma linguagem
 destas que sugiram coisas, ou mesmo o eco da louça abandonada na pia
Eu busco uma linguagem
 misera, mágica, estrita,
uma linguagem em que a síntese esteja longínqua,
em que resida o mais puro silêncio. 

4 comentários:

  1. O som [silencioso] das coisas.

    Bonito!

    Um abraço,
    Doce de Lira

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  2. Fantástico, Georgio!

    Perdão pelas ausências.

    Adorei este linguajar!

    Beijos

    Mirze

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  3. Buscar é coisa de poeta, daí vc estará assim e sempre: buscando. Já dizia o outro (CDA) que tudo isto resulta na luta vã.Mas, vcs continuam buscando porque são poetas.

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  4. Concordo com Gerana. Como dizia CDA, essa é uma luta vã, mas vale à pena lutar. Um abraço, amigo Georgio.

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