domingo, 29 de agosto de 2010

Para não perder o costume. Hoje é domingo.


COLHEITA

Quando queremos olhar,
olhar apenas,
olhar apenas a extensão das janelas
e por trás delas,
as luzes distantes e soluçantes,              
Da noite.


Absorver sobre a retina,
as secretas instâncias,  
e as suaves insistências .


E lembrar apenas, que somos todos,
cercados de ausências.


domingo, 22 de agosto de 2010

Um poema ao Amigo Cazé!

DIÁLOGO

Para Wladimir Cazé



Do alto de sua cisma

um homem ouve as gaivotas,

elas falam,

contam-lhe certos segredos,

e algumas

engasgam no ditame

de certos convites,

outras calam,

do alto da sua cisma o homem ouve,

e vê, no vôo confidente destas aves,

toda a extensão do estrito

universo, quase extinto.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Poema.IN lux



MENSAGEM
Eu sou 
a poeira nua
que pousa em meus ossos

E aquela foto que aos poucos
se apaga
e gasta
teus olhos, fixos

E ainda,
sou a sombra
que desce atrás da porta,
e que visita
as páginas fechadas
dum  livro,
esquecido, onde escrevemos
em silêncio

sou o pássaro imaginário
que se abra na oposição
das páginas expostas.



domingo, 1 de agosto de 2010

De quando os pássaros assombram as noites

INVENTÁRIO DA NOITE

Quantos punhais de luz
são precisos para rasgar
as portas da madrugada?

Quantas cristas são necessárias
Para irromper a diatribe sonora dos galos
Em manifestação de manhã.

Tua palavra cessa, basta
O resto é máquina
que devora as horas
Que explora os poros da pretensa noite
Esvaindo-se
em rutilações e fragmentos
e
mágicos artifícios.


imagem de: Gallo Quirico
http://www.flickr.com/photos/pvicens/101818512/