domingo, 2 de outubro de 2011

                                                                      desenho: Georgio Rios
                                                    

ARQUITETANDO QUIJANO

Era apenas uma figura abstrata. Um emeranhado de riscos sobre um folha branca de papael A4 destes que se vende em resmas de 500 folhas. Embalados com um laminado brilhante   estampando referências a preservação ambiental, e plantio de eucalípitos. Poderíamos estar vendo um filme, ou ainda, um album de fotografias, porém estavamos ali. Quietos, olhando efusivamente aquela figura abstrata de cores diversas. Foi aqui que no verso de outra folha, em branco, começei a rabiscar algumas palavras aleatóreas sobre livros que me tiravam do tédio. O pequeno texto era este:
“ Eu estava na engenharia dos sonhos de Alonzo Quijano, quando este, em sua estranha música, engendrava em silêcio, os primeiros moinhos de vento. Sancho, em sua larga figura argumentava estas façanhas de esteta com seu burrico a caminho de certa ilha, da qual tinha apenas parcas noticias,trazidas através de certo cavaleiro da triste figura.
A tarde desabou lenta, entre raios tímidos de sol que retardavam ante a massa negra da noite. Lina amassou o papel e fomos embora sem dizer muitas palavras. Ela no taxi, eu, a pé observando a s primeiras estrelas da noite.

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