quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tirando o pó das paredes.



AZUL

Cultivo versos
que ladram um idioma secreto,
sons de folha,
a luz azul escondida nas páginas. 

(O azul que borra
as linhas)

Cultivo versos que esquecem
que sou poeta,
que escrevo para me gastar.


* Foto: Florival Oliveira

sábado, 5 de maio de 2012

Rapsódia Bruta, de Gustavo Rios.




nenhum ruído nessa casa

paz involuntária
providencial

por isso, escrevo

(escrever é gritar em silêncio)

Gustavo Rios, in Rapsódia Bruta, 2011

Estou com o livro a alguns, poucos dias, mais já contaminado pela poética ácida do camarada, com o qual compartilho o sobrenome, amizade e gosto pela escrita. Um livro de sutilezas e imagens labirínticas. Como exorta o mestre Lupeu Lacerda, no posfácio deste livro; por vezes é preciso ler os poemas em voz alta, é preciso "gritar em silêncio" para poder encontrar as chaves secretas, como em um videogame, é preciso estar atento para as fases secretas que o Rapsódia apresenta.

Estar com este livro, aberto, nas mãos, me deu uma boa bordoada de motivos para escutar os meus silêncios, eles gritam, eu grito em silêncio. A poesia, senhores, é este ente tremendo que molda e muda o som das coisas.

Georgio Rios, num sábado onde a chuva ensaia descer ao chão e lavar os ecos deste nosso silêncio, diário, que nos contamina.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Poesia, sem contra-indicações



MOVIMENTO

Meu trabalho é lento:
escrevo em folha de árvores,
corrijo com borracha e vento.
                               No caminho,
coleciono as pedras,
perco as poucas Parcas,
e poupo
a água
da tarde,
 que escorre dos olhos abertos,
sob a sombra sequiosa do sol
                               A tarde uiva,
(canis lúpus)
E a sinfonia aporta em seu Gran Finale.


domingo, 29 de abril de 2012


MOVIMENTO

Ainda que não venha,
que longa espera haja,
abram as caixas, contem os segredos

Alguma algarobeira dirá
profética, todas as litanias
e os lajedos em profunda caminhada
exortarão em silêncio insidiosas macambiras.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A mulher baiana em vários tons- REALSE

Com o lançamento de ”As baianas”, seis escritores envolvem o leitor com histórias que apresentam vigorosas personagens femininas de bairros soteropolitanos




Entre noiva e piriguete, santinha e bandida, guerreira e putinha, seis narrativas compõem a coletânea “As baianas”, publicada pela editora Casarão do Verbo e que será lançada no dia 10 de fevereiro, às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Salvador. Inspirada no livro de Sérgio Porto, “As cariocas”, a iniciativa passa longe de uma possível homenagem ao famoso cronista e escritor. São seis olhares distintos sobre cenários e personagens igualmente peculiares.
A diversidade da proposta, ao retratar a mulher baiana sem apelos caricatos e estereotipados, não fica restrita apenas às narrativas de Carlos Barbosa (A putinha da Vitória), Elieser Cesar (A guerreira da Lapinha), Gustavo Rios (A noivinha do Cabula), Lima Trindade (A piriguete de Ondina), Mayrant Gallo (A Bonnie dos Barris) e Tom Correia (A santinha da Ribeira). A Casarão do Verbo decidiu lançar também duas versões de capa, cada uma delas representando o volume de modo bem particular.
“As baianas” tem apresentação do jornalista Xico Sá e posfácio do escritor e presidente da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa, e traz em suas 152 páginas uma variedade de enredos e perspectivas dos quais emerge uma Salvador extremamente contemporânea, urbana e repleta de singularidade. Traz também um breve ensaio fotográfico em P&B, assinado por Gal Meirelles e distribuído em seis imagens que antecedem cada conto.

Lançamento de “As baianas”
Quando: 10 de fevereiro (sexta-feira), 19h.
Onde: Livraria Cultura ( Shopping Salvador)
Preço sugerido: R$ 30,00.