sábado, 5 de maio de 2012

Rapsódia Bruta, de Gustavo Rios.




nenhum ruído nessa casa

paz involuntária
providencial

por isso, escrevo

(escrever é gritar em silêncio)

Gustavo Rios, in Rapsódia Bruta, 2011

Estou com o livro a alguns, poucos dias, mais já contaminado pela poética ácida do camarada, com o qual compartilho o sobrenome, amizade e gosto pela escrita. Um livro de sutilezas e imagens labirínticas. Como exorta o mestre Lupeu Lacerda, no posfácio deste livro; por vezes é preciso ler os poemas em voz alta, é preciso "gritar em silêncio" para poder encontrar as chaves secretas, como em um videogame, é preciso estar atento para as fases secretas que o Rapsódia apresenta.

Estar com este livro, aberto, nas mãos, me deu uma boa bordoada de motivos para escutar os meus silêncios, eles gritam, eu grito em silêncio. A poesia, senhores, é este ente tremendo que molda e muda o som das coisas.

Georgio Rios, num sábado onde a chuva ensaia descer ao chão e lavar os ecos deste nosso silêncio, diário, que nos contamina.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Poesia, sem contra-indicações



MOVIMENTO

Meu trabalho é lento:
escrevo em folha de árvores,
corrijo com borracha e vento.
                               No caminho,
coleciono as pedras,
perco as poucas Parcas,
e poupo
a água
da tarde,
 que escorre dos olhos abertos,
sob a sombra sequiosa do sol
                               A tarde uiva,
(canis lúpus)
E a sinfonia aporta em seu Gran Finale.