sábado, 5 de janeiro de 2013

Resenha do Livro Ficções ao Mar de Georgio Rios por Saulo Dourado





foto: Vel Martins


Todos os volumes da coleção Cartas Bahianas, da P55 Edições, têm o formato de um envelope de carta, com uma aba que sobressai da capa e se encaixa ao fundo. No caso de Ficções ao mar, de Georgio Rios, o formato pareceu unir-se à vocação do livro, o que levaria facilmente a um leitor desavisado crer que seria uma edição personalizada.Ficções ao mar – como quem posta, envia.
Seriam estes microcontos mandados ao mar? O curioso é que o autor vive em Riachão de Jacuípe, no sertão baiano. Ele não escreveu uma homenagem como quem está a alguns passos das ondas, elas talvez sejam as destinatárias. Na dedicatória feita à caneta no meu exemplar, ele descreve do seguinte modo o percurso: “(são) respingos do mar que habita cada sertanejo”. O que lembra de imediato a máxima de Antônio Conselheiro, do sertão a virar mar e vice-versa. Algumas teorias geológicas apontam, inclusive, que várias rochas do semiárido são semelhantes às que constituem hoje o fundo do oceano. Para além das evidências, no entanto, existe do sertão para o mar, como de toda coisa para o seu contrário, essa estranha intimidade, esse parentesco, e é o que parece buscar este livro. 
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